Duas estrelas pareciam esconder uma tecnologia alienígena, mas James Webb revelou algo inesperado

A megaestrutura alienígena envolvendo uma estrela para o Google Discover. (Imagem: Fala Ciência)

Duas estrelas relativamente próximas chegaram a chamar a atenção dos astrônomos por apresentarem um comportamento que poderia indicar algo extraordinário: uma possível esfera de Dyson. Entretanto, quando o Telescópio Espacial James Webb examinou esses objetos com maior precisão, a suposta assinatura tecnológica desapareceu.

As esferas de Dyson são megaestruturas hipotéticas que poderiam ser construídas por uma civilização extremamente avançada para capturar uma parcela significativa da energia de sua estrela. Como essa energia acabaria sendo liberada novamente na forma de calor, uma das principais pistas seria um excesso de radiação no infravermelho.

Um sinal que parecia esconder algo muito maior

A busca foi conduzida pelo Projeto Hephaistos, da Universidade de Uppsala, a partir de dados do satélite Gaia e do telescópio espacial WISE. O levantamento analisou aproximadamente 1 milhão de estrelas, procurando objetos relativamente fracos na luz visível, mas com emissão infravermelha incomum.

Ilustração da busca astronômica por sinais e vida inteligente no universo. (Imagem: Fala Ciência)

Entre os candidatos estavam duas anãs M, estrelas pequenas e relativamente frias. Porém, as imagens do WISE não possuíam resolução suficiente para separar completamente essas estrelas de fontes localizadas atrás delas. É justamente nesse ponto que o Webb fez a diferença.

Webb revelou a verdadeira origem do infravermelho

Em 2026, o trabalho de Andreas J. Korn e colaboradores, publicado como estudo no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e disponibilizado no arXiv, analisou detalhadamente os dois candidatos.

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As observações mostraram que o excesso de infravermelho não vinha das estrelas. Na realidade, a emissão era produzida por galáxias de fundo muito próximas, visualmente, das anãs M.

Uma delas apresenta características de uma galáxia obscurecida por poeira quente, enquanto a outra possui estrutura extensa e sinais associados a intensa formação estelar.

O episódio demonstra como é difícil identificar tecnoassinaturas extraterrestres. Uma fonte distante pode parecer ligada a uma estrela simplesmente porque ambas aparecem praticamente na mesma direção.

Além disso, futuras observações infravermelhas com maior resolução poderão ajudar a eliminar esse tipo de falso positivo. Por enquanto, os dois candidatos foram descartados como esferas de Dyson, mas a busca por possíveis sinais de civilizações avançadas continua.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes