Este hábito matinal pode prejudicar o colágeno e acelerar o envelhecimento

Escolhas alimentares frequentes podem influenciar o envelhecimento. (Imagem ilustrativa: Fala Ciência)

O café da manhã parece uma refeição inofensiva, mas algumas escolhas feitas diariamente podem aumentar a exposição do organismo ao açúcar adicionado. Cereais açucarados, biscoitos, pães doces, geleias e bebidas adoçadas são exemplos comuns de alimentos que podem concentrar grandes quantidades de carboidratos refinados e açúcares.

O problema não está em consumir um alimento doce ocasionalmente. A preocupação surge quando uma refeição rica em açúcar se torna um hábito diário, especialmente porque níveis elevados de açúcar podem participar de um processo conhecido como glicação, relacionado ao envelhecimento dos tecidos.

A reação que pode deixar o colágeno menos eficiente

Infográfico da pele: Glicação e formação de AGEs danificam o colágeno. (Imagem ilustrativa: Fala Ciência)

A glicação ocorre quando moléculas de açúcar se ligam a proteínas do organismo. Com o tempo, essa reação pode gerar os chamados produtos finais de glicação avançada, conhecidos pela sigla AGEs.

Na pele, uma das principais preocupações envolve o colágeno, proteína responsável por boa parte da estrutura e da resistência do tecido. A formação e o acúmulo de AGEs podem alterar as propriedades dessas proteínas, contribuindo para perda de elasticidade e alterações associadas ao envelhecimento cutâneo.

Além disso, a glicação não acontece apenas no colágeno que está fora das células. Pesquisas recentes indicam que o excesso de açúcar também pode afetar diretamente o funcionamento das próprias células da pele.

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Pesquisa encontrou alterações em células da pele

Um estudo publicado na International Journal of Molecular Sciences em 25 de junho de 2025, liderado pela pesquisadora Antonella Rella, investigou especificamente os efeitos da exposição elevada à frutose em fibroblastos humanos, células fundamentais para a manutenção da pele.

Os pesquisadores observaram que níveis elevados de frutose provocaram alterações na aparência e no funcionamento das células. Em modelos experimentais, as células apresentaram crescimento prejudicado e menor capacidade de fechar uma lesão artificial.

A exposição também aumentou marcadores relacionados à senescência celular, além de estimular processos inflamatórios. Os resultados sugerem que produtos derivados da glicação podem interferir em mecanismos importantes para a manutenção e a reparação da pele.

É importante destacar, entretanto, que esse experimento foi realizado em células humanas cultivadas em laboratório, e não em pessoas que consumiram determinado café da manhã. Portanto, o estudo ajuda a explicar um possível mecanismo biológico, mas não permite afirmar que comer um alimento específico pela manhã fará alguém envelhecer mais rapidamente.

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O problema está no hábito, não em um único alimento

Por isso, não é necessário eliminar completamente alimentos doces. Uma estratégia mais realista é reduzir a frequência de produtos com açúcar adicionado e montar um café da manhã com maior quantidade de fibras, proteínas e alimentos pouco processados.

Algumas trocas simples incluem:

  • cereal açucarado por aveia e frutas;
  • pão doce por pão integral com fonte de proteína;
  • bebidas açucaradas por café ou chá sem açúcar;
  • geleias muito açucaradas por frutas inteiras.

Além da alimentação, fatores como exposição solar, tabagismo, sono inadequado e envelhecimento natural também participam do processo de envelhecimento da pele.

Portanto, aquele café da manhã açucarado consumido ocasionalmente não deve ser tratado como um inimigo da pele. O ponto mais relevante é a exposição repetida e excessiva ao açúcar, dentro de um padrão alimentar pouco equilibrado.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn