Cientistas planejam muro submarino gigante para salvar a Geleira Thwaites

Projeto inovador tenta proteger a Antártida do colapso total (Imagem: Getty Images via Canva)

O avanço das geleiras antárticas representa uma ameaça direta ao nível do mar e à estabilidade de cidades costeiras ao redor do mundo. Entre elas, a Geleira do Juízo Final, oficialmente conhecida como Thwaites, é a mais crítica: localizada na Antártida Ocidental, seu colapso completo poderia elevar os oceanos em até 65 centímetros. Para enfrentar esse desafio, pesquisadores de um projeto internacional propõem uma intervenção inédita: a construção de um muro submarino de mais de 80 km no leito oceânico.

A ideia é reduzir o fluxo de água quente que atinge a base da geleira, retardando seu derretimento acelerado. Embora o plano seja ambicioso, ele surge como uma tentativa de limitar impactos catastróficos sem precedentes, combinando engenharia avançada, estudos ambientais e testes em fiordes do Ártico antes da implementação definitiva na Antártida. Principais características do projeto:

  • Cortina ancorada ao leito marinho com até 150 metros de altura;
  • Extensão planejada de mais de 80 quilômetros;
  • Profundidade de instalação de 650 metros;
  • Possibilidade de estruturas contínuas ou fragmentadas para reduzir arrasto de correntes.

Testes em fiordes para preparar a proteção da Antártida

Estudos recentes indicam que o fluxo de gelo da Thwaites e de geleiras vizinhas mais que dobrou entre 1990 e 2010, respondendo atualmente por 8% da elevação do nível do mar global. O aquecimento das águas oceânicas intensifica o degelo por baixo da geleira, acelerando o risco de colapso.

Antes de qualquer construção, o projeto realiza experimentos em regiões mais acessíveis, como fiordes na Noruega e no arquipélago de Svalbard, com o objetivo de avaliar os efeitos sobre a temperatura da água, a estabilidade dos blocos de gelo e o impacto em ecossistemas marinhos. Essa abordagem busca reduzir custos e riscos, garantindo que qualquer intervenção futura seja eficaz e segura, sem comprometer o delicado equilíbrio ambiental local.

Obstáculos técnicos 

Além do desafio de erguer uma estrutura em condições extremas, o projeto enfrenta questões geopolíticas. A Antártida é regida pelo Tratado da Antártida, que exige cooperação internacional e proíbe exploração militar e mineração. 

Gostou dessa notícia?

Siga o canal do Fala Ciência no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão!

Entrar no Canal do WhatsApp

Portanto, qualquer decisão dependerá de consenso global, reforçando que medidas de geoengenharia não substituem a redução de emissões de gases de efeito estufa, ainda considerada a estratégia mais eficaz para conter o aquecimento global.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes