Calor intenso, tempestades e ar seco: agosto pode trazer uma sequência de extremos climáticos

Agosto pode combinar calor extremo, temporais, baixa umidade e maior risco de queimadas no Brasil. (Imagem: Fala Ciência)

O mês de agosto costuma marcar a transição entre o inverno e a primavera no Brasil, período caracterizado por rápidas mudanças nas condições atmosféricas. Em 2026, porém, essa variabilidade tende a ser ainda mais intensa devido ao fortalecimento do El Niño, fenômeno climático que altera a circulação da atmosfera em escala global e influencia diretamente o regime de chuvas e as temperaturas.

As previsões meteorológicas indicam um cenário de atenção para diferentes regiões do país. Enquanto algumas áreas devem enfrentar temporais, outras poderão registrar ondas de calor, baixa umidade do ar e aumento do risco de queimadas. Esse contraste é uma das principais características dos episódios mais intensos de El Niño.

O aquecimento do Pacífico influencia todo o continente

O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial permanecem mais quentes do que a média por vários meses. Esse aquecimento modifica a circulação atmosférica e altera o comportamento das massas de ar, afetando o clima em diversas partes do mundo.

As projeções atuais apontam que o fenômeno continuará ganhando intensidade ao longo dos próximos meses, com possibilidade de atingir seu pico entre a primavera e o início do verão. Esse cenário aumenta a probabilidade de eventos meteorológicos extremos no Brasil.

Cada região deve sentir os impactos de forma diferente

Embora o fenômeno tenha uma origem única, seus efeitos variam conforme a localização geográfica. Na Região Sul, a expectativa é de chuvas acima da média, com maior risco de:

  • Temporais.
  • Ventos intensos.
  • Queda de granizo.
  • Alagamentos e enchentes.
  • Deslizamentos em áreas vulneráveis.

O Rio Grande do Sul permanece entre os estados que exigem maior atenção, especialmente devido ao histórico recente de eventos extremos.

Já no Centro-Oeste e em grande parte do Sudeste, o cenário será marcado pelo predomínio do calor intenso e da baixa umidade relativa do ar. Em algumas localidades, a umidade poderá atingir níveis inferiores a 20%, condição considerada preocupante para a saúde e para o aumento do risco de incêndios.

Norte e Nordeste também enfrentam mudanças importantes

No Nordeste, a tendência é de manutenção do tempo seco no interior, enquanto as chuvas permanecem mais concentradas na faixa litorânea.

Na Região Norte, a distribuição das precipitações deverá ocorrer de maneira desigual. Algumas áreas podem registrar chuva acima da média, enquanto outras continuarão enfrentando períodos mais secos.

Além disso, o calor persistente favorece o aumento da evaporação e contribui para mudanças nos ecossistemas naturais, especialmente em regiões já submetidas ao estresse hídrico.

Tempo seco aumenta o risco de queimadas

Outro efeito esperado para agosto é a intensificação da estiagem em parte do Brasil Central. A combinação entre:

  • Temperaturas elevadas.
  • Baixa umidade do ar.
  • Pouca ocorrência de chuvas.
  • Vegetação seca.

cria condições favoráveis para o surgimento e a rápida propagação de incêndios florestais, principalmente no Cerrado e no Pantanal, biomas que tradicionalmente enfrentam seu período mais crítico nesta época do ano.

Apesar disso, ainda poderão ocorrer incursões de massas de ar frio durante o mês, provocando quedas temporárias de temperatura em parte do Centro Sul do país. Mesmo assim, a tendência geral permanece de temperaturas acima da média.

O cenário previsto para agosto evidencia como o El Niño pode alterar significativamente o comportamento do clima brasileiro. O contraste entre calor intenso, tempestades, estiagem e baixa umidade demonstra a importância do monitoramento meteorológico contínuo e do planejamento preventivo.

Acompanhar as previsões e adotar medidas de adaptação será fundamental para reduzir impactos sobre a população, a agricultura, os recursos hídricos e os ecossistemas ao longo das próximas semanas.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes