Água fria ou quente? Estudo revela impacto direto no apetite e digestão

Água fria reduz o apetite antes das refeições. (Foto: Getty Images via Canva)
Água fria reduz o apetite antes das refeições. (Foto: Getty Images via Canva)

A temperatura da água que você consome pode influenciar muito mais do que a simples sensação de refresco. Um estudo científico recente trouxe evidências de que esse detalhe aparentemente trivial afeta diretamente a digestão, a saciedade e até a quantidade de calorias ingeridas ao longo do dia.

Publicado na revista European Journal of Nutrition, com autoria principal de Kyoko Fujihira (2020), o estudo investigou como diferentes temperaturas da água interferem na motilidade gástrica e na ingestão de energia em homens jovens saudáveis.

O que acontece no seu estômago ao mudar a temperatura da água

O estudo analisou três cenários: ingestão de água a 2 °C (gelada), 37 °C (temperatura corporal) e 60 °C (quente). Após consumir 500 mL de água, os participantes tiveram sua digestão monitorada.

Os resultados mostraram que a temperatura influencia diretamente o comportamento do estômago:

  • Água fria reduziu a ingestão calórica em até 26%
  • Houve diminuição das contrações gástricas
  • O esvaziamento do estômago ocorreu de forma mais lenta
  • A sensação de saciedade apareceu mais cedo

Em outras palavras, a água gelada parece prolongar a saciedade, o que leva a uma menor ingestão de alimentos na refeição seguinte.

Motilidade gástrica: o mecanismo por trás do efeito

A explicação para esse fenômeno está na chamada motilidade gástrica, que representa os movimentos do estômago durante a digestão.

O estudo identificou que:

  • A água fria reduz a frequência das contrações do estômago
  • Menos contrações estão associadas a menor ingestão de energia
  • Existe uma correlação direta entre atividade gástrica e apetite

Esse mecanismo sugere que a temperatura da água atua como um modulador fisiológico do apetite, influenciando sinais internos de fome e saciedade.

Água quente também tem efeitos, mas diferentes

Água quente acelera a atividade do estômago. (Foto: Bebe Istrate Images via Canva)
Água quente acelera a atividade do estômago. (Foto: Bebe Istrate Images via Canva)

Embora a água quente seja frequentemente associada a benefícios digestivos, os dados mostram um cenário distinto:

  • Aumenta a atividade gástrica
  • Pode acelerar o esvaziamento do estômago
  • Está associada a maior ingestão calórica subsequente

Isso não significa que seja prejudicial, mas indica que seu efeito no controle do apetite é diferente da água fria.

O que isso significa na prática

Os achados do estudo sugerem que a temperatura da água pode ser usada como uma estratégia simples no dia a dia:

  • Para controle do apetite: água fria antes das refeições pode ajudar
  • Para conforto digestivo: água morna pode ser mais adequada em alguns casos
  • Para hidratação: qualquer temperatura ainda é válida

No entanto, é importante considerar que os efeitos observados foram em um grupo específico e em curto prazo. Ainda são necessários mais estudos em populações diversas.

Um detalhe simples com impacto real

A pesquisa publicada na European Journal of Nutrition mostra que a temperatura da água não é apenas uma questão de preferência, mas um fator com influência direta na fisiologia digestiva e no controle do apetite.

Assim, pequenas escolhas no dia a dia, como beber água mais fria ou mais quente, podem contribuir para estratégias mais amplas de saúde metabólica e controle alimentar.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn