Alimentação influencia o avanço da artrite nos joelhos

Dieta influencia dor e desgaste nos joelhos. (Foto: Pixabay via Canva)
Dieta influencia dor e desgaste nos joelhos. (Foto: Pixabay via Canva)

A dor no joelho costuma ser atribuída ao envelhecimento ou ao excesso de peso. No entanto, um novo estudo indica que o problema pode estar muito mais ligado ao que você coloca no prato do que se imaginava. Pesquisas recentes mostram que a qualidade da alimentação pode impactar diretamente a saúde muscular e articular, especialmente no desenvolvimento da osteoartrite.

Publicado na revista Radiology, com autoria principal da pesquisadora Zehra Akkaya, o estudo analisou mais de 600 pessoas com sobrepeso e trouxe um alerta importante sobre o consumo de alimentos ultraprocessados.

O que acontece dentro do músculo sem você perceber

Os pesquisadores observaram algo preocupante: indivíduos que consumiam mais alimentos ultraprocessados apresentavam maior acúmulo de gordura nos músculos da coxa.

Esse tipo de alteração é conhecido como degeneração gordurosa muscular, e pode comprometer diretamente a função das articulações.

Além disso, o mais surpreendente foi que esse efeito ocorreu independentemente da quantidade de calorias consumidas. Ou seja, não é apenas “comer muito” que importa, mas sim o tipo de alimento ingerido.

Entre os principais impactos observados:

  • Redução da qualidade muscular
  • Maior fragilidade nas articulações
  • Aumento do risco de osteoartrite no joelho
  • Possível agravamento da dor e da limitação de movimento

Ultraprocessados são um problema real

Os chamados alimentos ultraprocessados são produtos industriais ricos em aditivos, conservantes e ingredientes artificiais. Eles incluem:

  • Refrigerantes e bebidas adoçadas
  • Salgadinhos e biscoitos industrializados
  • Fast food como hambúrguer e batata frita
  • Produtos prontos congelados

Esses alimentos costumam ter baixo valor nutricional e podem favorecer processos inflamatórios no organismo. Com o tempo, isso contribui para o desgaste das articulações.

Segundo o estudo, o consumo frequente desses produtos está associado a mudanças estruturais nos músculos que sustentam o joelho, aumentando o risco de dor e limitação funcional.

Osteoartrite: um problema crescente e silencioso

Alimentação ruim agrava artrite nos joelhos. (Foto: Pamai's Images via Canva)
Alimentação ruim agrava artrite nos joelhos. (Foto: Pamai’s Images via Canva)

A osteoartrite é uma doença degenerativa que ocorre quando a cartilagem das articulações se desgasta. Isso provoca:

  • Dor constante
  • Inchaço
  • Rigidez
  • Dificuldade de movimentação

Com o avanço da condição, o atrito entre os ossos aumenta, o que pode levar à perda de mobilidade e, em casos mais graves, à necessidade de cirurgia.

O cenário é preocupante: estimativas indicam que a doença pode atingir até 1 bilhão de pessoas no mundo até 2050.

A mudança simples que pode fazer diferença

Embora fatores como idade e genética sejam importantes, o estudo reforça que a alimentação é um fator modificável e essencial.

Pequenas mudanças já podem trazer benefícios relevantes:

  • Priorizar alimentos naturais ou minimamente processados
  • Reduzir o consumo de produtos industrializados
  • Incluir frutas, legumes e proteínas de qualidade
  • Evitar excesso de açúcares e gorduras artificiais

Além disso, os resultados destacam que estratégias de saúde não devem focar apenas na perda de peso, mas também na qualidade da dieta.

Mais do que calorias: a qualidade importa

Durante muito tempo, o foco esteve apenas na quantidade de calorias. No entanto, a ciência atual mostra que nem todas as calorias têm o mesmo efeito no corpo.

Alimentos ultraprocessados podem alterar a composição muscular e favorecer inflamações, enquanto alimentos naturais contribuem para a manutenção da saúde das articulações.

Portanto, cuidar da alimentação vai muito além da balança. Trata-se de proteger estruturas essenciais do corpo, como músculos e articulações, garantindo mais qualidade de vida ao longo dos anos.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn