Uma estrela gigantesca está perdendo matéria para um dos objetos mais extremos do Universo. A cerca de 13 mil anos-luz da Terra, na constelação de Crux, uma estrela de nêutrons está capturando parte do gás liberado por sua companheira e transformando esse material em uma poderosa fonte de raios X.
A cena acontece no sistema binário BP Crucis, onde uma estrela de nêutrons chamada GX 301-2 orbita a enorme Wray 977, uma hipergigante azul com aproximadamente 40 vezes a massa do Sol.
Dados do observatório espacial XRISM permitiram observar diretamente sinais do material se deslocando em direção ao objeto compacto.
Uma estrela gigantesca alimenta o pulsar
A Wray 977 é tão quente, luminosa e massiva que perde continuamente gás para o espaço na forma de um vento estelar. Esse fluxo é composto por plasma, ou seja, gás extremamente quente e ionizado.
A estrela de nêutrons, por outro lado, concentra mais massa que o Sol em uma esfera com apenas cerca de 20 quilômetros de diâmetro.
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Entrar no Canal do WhatsAppSua gravidade é tão intensa que parte do material lançado pela companheira acaba sendo capturada.
O processo é conhecido como acreção. Conforme o gás se aproxima da estrela de nêutrons, ele libera enormes quantidades de energia, produzindo a intensa emissão de raios X observada pelos astrônomos.
O gás estava viajando a 540 mil km/h
A observação foi realizada pelo XRISM em 1º de fevereiro de 2025, durante aproximadamente 16 horas, enquanto o sistema apresentava uma forte atividade em raios X.
O instrumento Resolve, capaz de obter espectros de alta resolução, identificou alterações nas linhas produzidas por ferro altamente ionizado.
Essas linhas funcionam como uma espécie de assinatura do movimento do gás.
A análise indicou que o plasma estava se deslocando em direção ao pulsar a aproximadamente 540 mil quilômetros por hora.
Para os astrônomos, esse detalhe é especialmente importante porque permite acompanhar o comportamento da matéria muito próxima de uma estrela de nêutrons.
Um disco de gás pode aparecer e desaparecer
Os dados também apontam para uma dinâmica surpreendente.
À medida que o pulsar atravessa regiões mais densas do vento estelar, o material capturado pode formar uma estrutura turbulenta ao redor da estrela de nêutrons. Esse disco de acreção aquece o gás e contribui para a emissão de raios X.
Entretanto, conforme o pulsar entra mais profundamente no fluxo de matéria, as condições podem mudar. O material pode perder o movimento necessário para sustentar o disco e passar a cair diretamente sobre a estrela de nêutrons.
Mais adiante, outro disco pode se formar temporariamente, possivelmente com rotação em sentido contrário.
Essa sequência é uma interpretação dos espectros observados, e não uma imagem direta do disco.
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Raios X revelam uma dança cósmica extrema
O sistema completa uma órbita em aproximadamente 41,5 dias. Durante esse percurso, o pulsar atravessa regiões particularmente densas do vento da estrela gigante e apresenta fortes aumentos na emissão de raios X.
Assim, o BP Crucis funciona como um laboratório natural para estudar como estrelas de nêutrons capturam matéria.
O estudo foi publicado na revista Science Advances em 18 de setembro de 2026, com Roi Rahin como autor principal.
A observação é particularmente valiosa porque permite estudar, por meio dos raios X, uma região que seria impossível observar diretamente com telescópios convencionais. Dessa forma, o movimento do gás revela como a matéria pode ser acelerada e capturada por alguns dos objetos mais densos e extremos do Universo.
