Tempestades solares poderão ser detectadas horas antes graças a novo CubeSat 

Ejeção de massa coronal lança uma enorme bolha de plasma solar. (Imagem: NASA , ESA , Consórcio SOHO)

O Sol sustenta a vida na Terra, mas sua atividade também pode desencadear fenômenos capazes de perturbar tecnologias das quais dependemos diariamente. Erupções solares, tempestades geomagnéticas e tempestades de radiação fazem parte do chamado clima espacial e podem representar riscos para satélites, sistemas de comunicação, redes elétricas e até para a segurança de astronautas.

O desafio está em saber com antecedência quando uma dessas perturbações poderá atingir nosso planeta. É justamente nesse ponto que entra o HENON, um pequeno satélite desenvolvido para investigar uma nova estratégia de monitoramento do clima espacial.

Mais distância pode significar mais tempo para reagir

Missão HENON amplia tempo de alerta para tempestades solares. (Imagem: Fala Ciência)

Os atuais sistemas de observação do clima espacial posicionados no ponto de Lagrange L1, localizado aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros da Terra, conseguem detectar alterações no fluxo de partículas e no campo magnético antes que elas cheguem ao planeta.

Entretanto, essa distância oferece uma janela relativamente curta para preparação. Dependendo do fenômeno observado, o tempo de alerta pode ficar entre 15 e 60 minutos.

O HENON foi concebido para operar muito mais distante. A missão deverá ficar aproximadamente 15 milhões de quilômetros da Terra, uma distância cerca de dez vezes maior que a dos observatórios atualmente posicionados em L1.

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Na prática, essa mudança de localização pode proporcionar uma vantagem preciosa: mais tempo para detectar e acompanhar uma perturbação antes que ela alcance a Terra. A expectativa apresentada para a missão é ampliar a antecedência de determinados alertas para até cerca de três horas.

Um magnetômetro para acompanhar as ameaças solares

Para melhorar essas previsões, o HENON contará com o MAGIC, um instrumento desenvolvido para realizar medições do campo magnético no ambiente espacial.

Essa informação é especialmente importante porque o comportamento de uma tempestade solar não depende apenas da quantidade de partículas lançadas pelo Sol. A orientação e a intensidade do campo magnético também ajudam a determinar como uma perturbação poderá interagir com o campo magnético terrestre.

Por isso, medir essas características antes da chegada do fenômeno pode ajudar os pesquisadores a estimar melhor a intensidade e os possíveis efeitos de uma tempestade espacial.

Sol interfere na tecnologia

Os efeitos do clima espacial variam bastante. A classificação utilizada pela NOAA divide esses fenômenos em três categorias principais:

  • G: tempestades geomagnéticas;
  • S: tempestades de radiação solar;
  • R: apagões de rádio.

Cada categoria possui níveis de intensidade que vão de 1, considerado leve, até 5, classificado como extremo.

Um dos episódios mais conhecidos ocorreu em setembro de 1859. O chamado Evento Carrington produziu auroras observadas em várias regiões e provocou perturbações nos sistemas telegráficos, mostrando que uma atividade solar intensa pode produzir efeitos muito além da atmosfera.

Mais recentemente, eventos fortes também atingiram o ambiente espacial próximo à Terra, incluindo a intensa tempestade geomagnética de maio de 2024.

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O teste que pode transformar a previsão do clima espacial 

O HENON não pretende apenas coletar dados sobre o Sol. A missão também servirá para testar tecnologias e estratégias que poderão ser utilizadas em futuros sistemas de previsão operacional do clima espacial.

A lógica é relativamente simples: colocar sensores em uma posição mais distante, observar a perturbação enquanto ela ainda está viajando pelo espaço e transformar essas informações em tempo adicional para preparação.

Se a estratégia funcionar como esperado, futuras missões poderão utilizar esse conceito em sistemas permanentes de monitoramento.

Assim, um CubeSat relativamente pequeno poderá ajudar a responder a uma questão de enorme importância tecnológica: quanto antes conseguirmos enxergar uma tempestade solar, maior será a nossa capacidade de nos preparar para seus efeitos.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes