Durante décadas, uma ideia ajudou a organizar nossa compreensão do Universo: a energia escura seria uma componente constante do cosmos, responsável por acelerar sua expansão. Agora, um dos maiores conjuntos de dados de supernovas já reunidos está colocando essa hipótese sob pressão.
O novo catálogo reúne 2.884 supernovas do tipo Ia, explosões estelares utilizadas pelos astrônomos como marcadores de distância cósmica. Ao combinar observações de diferentes épocas e levantamentos, os pesquisadores conseguiram reconstruir com maior uniformidade a história da expansão do Universo.
E o resultado chama atenção: quando os dados são combinados com outras medições cosmológicas, surge uma preferência por modelos nos quais a energia escura muda ao longo do tempo.
Supernovas que ajudam a medir o tamanho e a expansão do Universo
As supernovas do tipo Ia são especialmente importantes porque apresentam propriedades que permitem estimar sua distância em relação à Terra. Ao comparar distância e velocidade de afastamento das galáxias que as hospedam, os cientistas conseguem reconstruir como o Universo se expandiu em diferentes períodos.
O novo conjunto, chamado Unite, combina dados do Pantheon+ com o levantamento de cinco anos do Dark Energy Survey, conhecido como DES-SN5YR.
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Entrar no Canal do WhatsAppEm vez de simplesmente juntar catálogos, os pesquisadores reaplicaram métodos consistentes para selecionar, modelar e corrigir as observações. Também recalcularam a massa estelar das galáxias hospedeiras para mais de 98% das supernovas, reduzindo diferenças metodológicas que poderiam influenciar os resultados.
Uma pequena diferença que pode mudar o Universo
Quando o conjunto Unite é analisado dentro do modelo cosmológico padrão, os dados apresentam uma tensão com outras observações do cosmos, principalmente quando entram na análise medições da radiação cósmica de fundo e das oscilações acústicas dos bárions.
A situação muda quando os pesquisadores permitem que a energia escura tenha um comportamento variável.
Nesse cenário, os parâmetros obtidos sugerem que sua influência não permaneceu exatamente igual ao longo da história cósmica. As análises frequentistas encontraram preferência pelo modelo de energia escura evolutiva entre 2,5σ e 3,1σ, dependendo do método estatístico utilizado. Já a análise bayesiana apontou apenas uma preferência fraca.
Isso é importante porque 3,1σ ainda não significa uma descoberta definitiva. Na cosmologia, resultados desse tipo precisam sobreviver a novas observações, diferentes métodos de análise e possíveis fontes de erro sistemático.
Veja mais:
A pista pode estar na evolução do cosmos
O estudo principal foi liderado por Ryan Camilleri e publicado como pré-publicação no arXiv em 4 de setembro de 2026, com versão revisada em 9 de setembro.
Um segundo trabalho da mesma colaboração, liderado por J. Lee, examinou especificamente como as massas das galáxias hospedeiras das supernovas podem afetar as conclusões cosmológicas. O estudo foi submetido ao arXiv em 4 de setembro de 2026 e também passou por revisão posterior.
A importância dessa investigação vai além de uma disputa entre modelos. Se futuras observações confirmarem que a energia escura realmente evolui, será necessário rever uma das principais descrições matemáticas utilizadas para explicar a expansão do Universo
