Famosas pelas picadas dolorosas, as formigas-de-fogo têm um alimento preferido. Descubra qual!

Formiga-de-fogo pequena é conhecida por suas picadas dolorosas. (Imagem ilustrativa: Getty Images via Canva).

Pequenas no tamanho, mas capazes de causar uma picada dolorosa, as formigas-de-fogo estão entre as espécies invasoras que mais preocupam pesquisadores em algumas regiões do mundo. Agora, um estudo revelou uma característica curiosa sobre esses insetos: eles não parecem considerar o atum uma das opções mais atraentes quando podem escolher o que comer.

Em testes realizados em laboratório, a formiga-de-fogo pequena (Wasmannia auropunctata) demonstrou uma preferência muito maior por carne cozida e sementes de girassol cruas. A descoberta pode ajudar a melhorar as estratégias utilizadas para detectar populações dessa espécie invasora.

Uma formiga pequena que pode causar grandes problemas

A Wasmannia auropunctata é conhecida pela capacidade de formar populações numerosas e pela picada dolorosa, que pode provocar uma sensação intensa de ardência e reações na pele.

O problema vai além do desconforto causado pelas picadas. Em áreas onde a espécie se estabeleceu, ela pode afetar plantações, animais domésticos e pessoas. Em cães e outros animais, por exemplo, as formigas podem atingir a região dos olhos e provocar lesões.

Por isso, descobrir onde esses insetos estão é uma etapa importante para tentar controlar sua expansão.

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O atum não era tão irresistível quanto parecia

Formigas preferem gorduras e proteínas em estudo. (Imagem ilustrativa: Fala Ciência).

Durante os experimentos, pesquisadores da Universidade do Havaí em Mānoa ofereceram diferentes alimentos às formigas para observar quais despertavam maior interesse.

Ao todo, foram avaliadas 24 opções alimentares, que variavam principalmente em relação à quantidade de proteínas, carboidratos e gorduras.

O resultado chamou atenção: carne cozida e sementes de girassol cruas foram, de longe, as opções mais procuradas pelas formigas.

O mel também apresentou grande atratividade entre os alimentos ricos em carboidratos. Já o atum conservado em água e a manteiga de amendoim sem óleo ficaram entre as opções menos interessantes.

A composição dos alimentos parece ajudar a explicar a preferência. Os resultados indicam que as formigas podem ser especialmente atraídas por fontes que oferecem lipídios, ou gorduras, além de outros nutrientes.

A escolha da isca pode fazer diferença

A descoberta tem uma aplicação prática importante. Para procurar sinais da formiga-de-fogo pequena, moradores e equipes de monitoramento podem utilizar pequenas quantidades de alimento como isca.

O problema é que uma isca pouco atraente pode dar uma impressão errada sobre a presença desses insetos. Se houver outras fontes de comida disponíveis nas proximidades, as formigas podem simplesmente ignorar o alimento colocado para a detecção.

Isso significa que uma área aparentemente livre da praga pode, na verdade, ter uma população que não foi atraída pela isca utilizada.

Entre as opções que podem ajudar em estratégias de monitoramento estão:

  • Carne cozida
  • Sementes de girassol cruas
  • Mel, especialmente para investigar a atração por carboidratos

Esses resultados não significam que colocar comida no quintal seja uma forma de combater a infestação. A descoberta serve principalmente para aprimorar métodos de vigilância e desenvolver iscas mais eficientes.

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A descoberta veio de um estudo científico

A pesquisa foi publicada em 2026 no Journal of Applied Entomology. A primeira autora, Aradhana Shrestha, e seus colaboradores analisaram as preferências alimentares da formiga-de-fogo pequena em condições controladas.

O trabalho mostrou que a escolha alimentar da espécie é mais específica do que algumas estratégias tradicionais de monitoramento sugeriam.

A descoberta é curiosa porque o alimento mais usado como isca nem sempre é aquele que mais interessa ao inseto. Para uma espécie invasora capaz de causar picadas dolorosas e afetar animais e plantações, entender esse comportamento pode fazer diferença na hora de localizar novos focos.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes