Uma das maiores simulações cosmológicas já realizadas conseguiu acompanhar 13,5 bilhões de anos de evolução do universo, desde seus estágios iniciais até o cenário atual. Batizada de ASTRID, a ferramenta cria um universo virtual no qual pesquisadores podem observar a formação de galáxias, estrelas e buracos negros em diferentes momentos da história cósmica.
O trabalho é especialmente importante porque permite comparar previsões teóricas com dados obtidos por telescópios modernos.
Um universo feito de 166 bilhões de partículas
A simulação foi executada com auxílio do supercomputador Frontera, no Texas Advanced Computing Center. Ao todo, a ASTRID acompanha aproximadamente 166 bilhões de partículas em uma região espacial com cerca de 815 milhões de anos luz de diâmetro.
Nesse enorme laboratório virtual, os pesquisadores calculam fenômenos relacionados à gravidade, hidrodinâmica, formação estelar e crescimento dos buracos negros.
Cada registro completo da simulação pode gerar cerca de 30 terabytes de dados, mostrando a dimensão do desafio computacional.
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Entrar no Canal do WhatsAppO mistério dos primeiros buracos negros
A ferramenta ganhou importância diante das observações do Telescópio Espacial James Webb, que identificou galáxias muito antigas e evidências de buracos negros massivos em fases remotas da história do universo.
O estudo liderado por Yihao Zhou e publicado no The Astrophysical Journal em 2026, apresenta a evolução da ASTRID até z = 0, correspondente ao universo atual.
Com isso, os cientistas podem investigar como os buracos negros cresceram, como suas galáxias hospedeiras evoluíram e em quais períodos ocorreram mais fusões entre esses objetos.
Ondas gravitacionais também entram na simulação
Quando galáxias colidem, seus buracos negros centrais podem se aproximar até finalmente se fundirem. Esses eventos produzem ondas gravitacionais, pequenas perturbações no espaço tempo que podem viajar por distâncias gigantescas.
A ASTRID permite calcular onde esses acontecimentos podem ser mais frequentes e quais ambientes cósmicos têm maior potencial para produzir sinais detectáveis por futuros observatórios.
Além disso, os dados ajudam a prever a distribuição de galáxias que poderá ser comparada com grandes levantamentos astronômicos.
Assim, a ASTRID transforma as leis da física em um universo virtual em evolução, oferecendo aos pesquisadores uma maneira de investigar processos que aconteceram bilhões de anos antes de qualquer observador existir.
