O cometa 220P/McNaught ganhou protagonismo inesperado em 2026. Conhecido por sua passagem periódica pelo Sistema Solar, o objeto apresentou uma explosão extraordinária de brilho no início de junho e voltou a chamar atenção meses depois, mostrando como os cometas podem mudar radicalmente em pouco tempo.
Descoberto pelo astrônomo Robert McNaught em 20 de maio de 2004, no Observatório de Siding Spring, na Austrália, o 220P completa uma volta ao redor do Sol a cada aproximadamente 5,5 anos. Sua órbita o coloca entre os chamados cometas da família de Júpiter.
Em 2026, o objeto atingiu o periélio em 14 de junho, quando passou a cerca de 1,56 unidade astronômica do Sol. Depois disso, começou a se afastar, mas continuou oferecendo surpresas aos observadores.
Uma explosão transformou o cometa em poucos dias
A principal reviravolta aconteceu entre o fim de maio e o começo de junho. Antes do evento, o 220P apresentava brilho extremamente fraco, próximo da magnitude 17,5. Em poucos dias, porém, chegou aproximadamente à magnitude 8,3.
Isso representa uma mudança de quase 10 magnitudes, uma diferença gigantesca para um objeto astronômico. Registros especializados indicam que o episódio começou por volta de 31 de maio e atingiu seu máximo em 3 de junho.
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Entrar no Canal do WhatsAppUma explosão desse tipo ocorre quando o núcleo de um cometa libera repentinamente grandes quantidades de poeira e gases. O material se espalha ao redor do núcleo e aumenta a área responsável por refletir a luz solar, fazendo o objeto parecer muito mais brilhante.
A transformação também alterou sua aparência. Observações registraram uma coma condensada, além de uma cauda iônica que chegou a ultrapassar 2 graus no céu.
O brilho caiu, mas o cometa não parou de surpreender
Depois do grande aumento de atividade, o 220P começou a perder luminosidade rapidamente. Esse comportamento é esperado após uma explosão cometária, já que o material liberado gradualmente se dispersa.
Entretanto, uma nova mudança chamou atenção em agosto. Observações fotométricas registraram o cometa em torno da magnitude 9 no início do mês, seguido por uma queda progressiva nas semanas seguintes.
Essas oscilações tornam o 220P especialmente interessante para quem acompanha o céu por meio de telescópios e astrofotografia.
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Outubro será outro momento para observar o 220P
Apesar de estar se afastando do Sol, o cometa ainda terá uma aproximação relativamente favorável da Terra. Os cálculos orbitais indicam que isso acontecerá em 12 de outubro de 2026, quando estará a pouco mais de 1 unidade astronômica do nosso planeta.
Isso não significa que o 220P ficará visível a olho nu. Seu brilho é difuso e, mesmo durante o período de maior atividade, o objeto exige instrumentos ópticos para ser observado adequadamente.
Ainda assim, existe um motivo para continuar acompanhando o visitante cósmico: novas explosões de atividade não podem ser descartadas. O comportamento registrado em 2026 mostra que o cometa é capaz de mudar de aparência em questão de dias.
E talvez essa seja justamente a característica mais fascinante do 220P/McNaught. Mesmo seguindo uma órbita previsível, sua atividade interna permanece cheia de surpresas.
