Batata-doce roxa ou amarela: qual das duas é a melhor para quem quer controlar o açúcar no sangue? 

Batata-doce roxa e amarela têm diferenças na composição nutricional. (Imagem: Fala Ciência)

A batata-doce costuma aparecer como uma alternativa interessante para quem busca refeições mais equilibradas, mas existe uma dúvida que merece atenção: a cor do alimento muda a forma como ele afeta a glicose? Entre a variedade roxa e a amarela, há uma diferença importante na composição nutricional, principalmente pela presença de pigmentos naturais.

Para quem precisa controlar o açúcar no sangue, entretanto, não basta escolher a variedade pela aparência. A quantidade consumida, o modo de preparo e o que acompanha o alimento também interferem na resposta glicêmica.

A cor roxa esconde uma vantagem metabólica

Batata-doce roxa: como suas antocianinas agem no controle da glicose. (Imagem: Fala Ciência)

As antocianinas são pigmentos pertencentes à família dos flavonoides e estão presentes em maior concentração na batata-doce roxa do que nas variedades de polpa amarela ou alaranjada.

Além de contribuírem para a coloração característica, esses compostos apresentam propriedades antioxidantes e vêm sendo investigados por sua interação com mecanismos envolvidos no controle da glicemia.

Um estudo publicado em 2026 trouxe uma pista interessante. Na revista Food Chemistry, o pesquisador Jing Li e colaboradores avaliaram as antocianinas da batata-doce roxa e identificaram um composto chamado peonidina-3-cafeoil-feruloilsforosídeo-5-glicosídeo como um dos principais componentes responsáveis pela inibição da enzima sacarase.

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Os experimentos indicaram que esse composto conseguiu inibir a atividade da sacarase de maneira dependente da dose e também aumentou a captação de glicose em células HepG2 resistentes à insulina.

Isso é relevante porque a sacarase participa da digestão de carboidratos no intestino. Ao reduzir sua atividade, em teoria, pode haver uma liberação mais gradual de glicose após a refeição.

Mas existe uma ressalva essencial: o estudo não comparou diretamente batata-doce roxa e amarela em pessoas. Portanto, ele não permite afirmar que comer a variedade roxa necessariamente produzirá uma redução específica da glicemia.

A batata amarela também pode fazer parte da dieta

A variedade amarela não deve ser encarada como uma opção ruim. Ela continua sendo uma fonte de carboidratos, fibras, vitaminas e minerais, podendo fazer parte de uma alimentação adequada.

A diferença é que ela não apresenta a mesma concentração de antocianinas responsável pela coloração roxa. Por isso, quando a comparação é especificamente sobre compostos bioativos relacionados ao metabolismo da glicose, a variedade roxa desperta maior interesse científico.

Por outro lado, o impacto real sobre a glicemia depende muito mais do contexto da refeição do que apenas da cor da raiz.

O preparo pode mudar bastante a resposta

Mesmo uma variedade potencialmente favorável pode elevar a glicose rapidamente quando consumida em grandes quantidades ou preparada de determinadas maneiras.

Para quem precisa controlar a glicemia, algumas estratégias podem ajudar:

  • Controlar a porção de batata-doce no prato.
  • Preferir a raiz inteira, em vez de preparações muito processadas.
  • Combinar o carboidrato com proteínas, fibras e vegetais.
  • Evitar transformar a batata-doce em preparações com grandes quantidades de açúcar ou farinhas refinadas.

Além disso, cozinhar, assar, resfriar e reaquecer podem modificar a estrutura do amido e, consequentemente, influenciar sua digestão. Portanto, a cor é apenas uma parte da história.

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Roxa ou amarela: qual escolher?

Se a pergunta for exclusivamente sobre qual variedade apresenta maior potencial relacionado ao controle glicêmico, a batata-doce roxa merece preferência por concentrar antocianinas com propriedades metabólicas investigadas em estudos recentes.

Entretanto, isso não significa que ela seja um alimento capaz de controlar ou tratar diabetes. O estudo de 2026 analisou mecanismos bioquímicos e celulares, e seus resultados ainda precisam ser confirmados em pesquisas clínicas.

Para a maioria das pessoas, a melhor escolha continua sendo aquela que cabe em uma refeição equilibrada, com porção adequada e pouco processamento.

Assim, entre roxa e amarela, a roxa pode ter uma vantagem do ponto de vista dos compostos bioativos. Porém, para manter a glicose sob controle, o conjunto da alimentação importa mais do que a cor isolada da batata-doce.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn