NASA tenta salvar telescópio de 21 anos no espaço, mas algo deu errado em órbita

NASA tenta prolongar a missão do telescópio Swift após 21 anos em órbita (Imagem: Laboratório de Imagens Conceituais do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA)

Um telescópio espacial que passou mais de duas décadas observando alguns dos eventos mais violentos do Universo está diante de seu último grande desafio. O Observatório Neil Gehrels Swift, da NASA, deveria receber uma operação robótica capaz de prolongar sua vida científica. Entretanto, um problema no sistema de controle de atitude da espaçonave LINK impediu a execução do plano original.

Mesmo assim, a missão ainda não acabou. A LINK deverá tentar uma aproximação com o Swift para demonstrar tecnologias que podem mudar a forma como satélites são reparados, reposicionados e mantidos em órbita.

Um veterano que ainda observa o Universo

Lançado em 2004, o Swift foi projetado para uma missão de apenas dois anos. Seu principal objetivo era estudar explosões de raios gama, fenômenos extremamente energéticos associados a alguns dos acontecimentos mais violentos conhecidos pela astronomia.

O observatório, porém, permaneceu ativo por cerca de 21 anos, produzindo dados importantes sobre explosões cósmicas e outros fenômenos celestes.

Com o aumento da atividade solar, a atmosfera superior da Terra se expandiu, aumentando o arrasto sobre o observatório. Como consequência, sua órbita baixa começou a perder altitude mais rapidamente.

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O robô que deveria prolongar sua missão

Telescópio Swift completa 21 anos em órbita enquanto NASA busca alternativas para prolongar sua missão (Imagem: NASA E/PO, Sonoma State University/Aurore Simonnet)

Em setembro de 2025, a NASA contratou a Katalyst Space para realizar uma missão robótica de manutenção. A ideia era enviar a LINK até o Swift, capturá-lo e elevar sua órbita.

O plano acabou comprometido por problemas persistentes no controle de atitude da LINK, sistema responsável por determinar e manter a orientação da espaçonave.

O anúncio foi divulgado por Lauren E. Low, da NASA, em 19 de agosto de 2026. Segundo a agência, as equipes continuam avaliando as possibilidades para a próxima etapa da missão.

O encontro ainda pode render um teste histórico

Embora a captura e o reposicionamento do Swift não devam ocorrer como planejado, a LINK ainda poderá realizar uma operação de encontro e proximidade com o observatório.

Esse procedimento permitirá testar tecnologias fundamentais para futuras missões de manutenção espacial, incluindo navegação, aproximação e operações robóticas em órbita.

A experiência pode ser especialmente importante para preservar satélites científicos caros e prolongar sua utilização.

Sem uma intervenção, a NASA prevê que o Swift provavelmente reentrará na atmosfera terrestre ainda em 2026. Enquanto isso, os dados obtidos pela missão LINK poderão servir de base para novas tecnologias destinadas a manter equipamentos científicos funcionando por mais tempo no espaço.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes