Entre os objetos mais intrigantes do Universo estão as anãs marrons, corpos celestes grandes demais para serem classificados como planetas, mas pequenos demais para iniciar a fusão do hidrogênio em seus núcleos.
Uma nova observação tornou essa categoria ainda mais interessante. O TESS, satélite da NASA especializado em descobrir exoplanetas a partir da técnica de detecção de pequenas variações no brilho das estrelas, identificou a HIP 61637 b, uma anã marrom que orbita uma estrela massiva em processo de envelhecimento.
O achado é raro porque esse tipo de sistema pode ajudar a investigar uma questão fundamental: essas estruturas se formam como estrelas ou crescem de maneira semelhante aos planetas?
Quase 48 vezes a massa de Júpiter
A HIP 61637 b possui aproximadamente 48 massas de Júpiter, mas seu raio é apenas cerca de 15% maior que o do gigante gasoso do Sistema Solar. Ela também completa uma volta em torno de sua estrela em apenas 6,83 dias.
Os pesquisadores combinaram os dados de trânsito do TESS com observações espectroscópicas para determinar suas características com grande precisão. O estudo de Nino Ephremidze e colaboradores, publicado como preprint no arXiv em 4 de agosto de 2026, foi submetido ao The Astrophysical Journal.
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Entrar no Canal do WhatsAppA estrela hospedeira possui aproximadamente 2,9 vezes a massa do Sol e está deixando a fase em que consome hidrogênio em seu núcleo. Essa condição permitiu estimar a idade do sistema em aproximadamente 396 milhões de anos, tornando o objeto especialmente valioso para estudos evolutivos.
Um nascimento que ainda desafia os modelos
Existem duas hipóteses principais para explicar a origem das anãs marrons. Algumas podem surgir pelo colapso de nuvens de gás, de maneira semelhante às estrelas. Outras poderiam crescer dentro do disco de material ao redor de estrelas jovens, seguindo um processo mais parecido com a formação planetária.
A órbita quase circular da HIP 61637 b poderia ser compatível com uma origem em disco. Porém, sua enorme massa ultrapassa o que alguns modelos consideram possível para esse mecanismo.
O sistema também está localizado no chamado deserto das anãs marrons, uma região em que esses objetos são extremamente raros quando orbitam muito próximos de suas estrelas.
Novas descobertas semelhantes poderão revelar se as anãs marrons são estrelas que nunca chegaram a acender, planetas gigantes que cresceram além do esperado ou objetos formados por processos ainda pouco compreendidos.
