Ele não tem cor nem cheiro nas concentrações presentes na atmosfera, mas seu impacto sobre o clima é enorme. O metano (CH₄) está entre os gases de efeito estufa mais importantes para o aquecimento global e, embora permaneça menos tempo na atmosfera que o dióxido de carbono, apresenta potencial de aquecimento cerca de 28 vezes maior que o CO₂ em um horizonte de 100 anos.
No Brasil, o desafio ganhou uma dimensão ainda maior. Dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) indicam que o país liberou aproximadamente 21 milhões de toneladas de metano em 2024, colocando o Brasil entre os maiores emissores mundiais.
Agora, um novo caderno elaborado pelo Observatório do Clima reúne 37 soluções voltadas especificamente à redução dessas emissões. As propostas abrangem quatro áreas estratégicas e mostram que existem diferentes caminhos para atacar o problema.
A maior parte do metano brasileiro nasce no campo
A agropecuária é o principal ponto de atenção. Em 2024, o setor respondeu por aproximadamente 15,7 milhões de toneladas de metano, o equivalente a 75,8% das emissões brasileiras do gás.
Por isso, mudanças na produção rural podem representar uma das maiores oportunidades para diminuir rapidamente a quantidade de CH₄ lançada na atmosfera.
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Entrar no Canal do WhatsAppEntre as estratégias apresentadas estão:
- melhorias no manejo dos animais e de seus resíduos;
- ampliação da assistência técnica aos produtores;
- planejamento adequado do território;
- acesso a financiamento e crédito para adoção de tecnologias mais eficientes;
- aprimoramento das práticas de produção e manejo.
Além de reduzir emissões, essas medidas podem contribuir para uma agropecuária mais eficiente, especialmente quando tecnologias e conhecimento técnico são incorporados à rotina dos produtores.
Lixões e aterros também entram na mira
O problema, entretanto, não está apenas nas áreas rurais. O setor de resíduos também produz quantidades importantes de metano durante a decomposição de matéria orgânica.
Nesse caso, uma das prioridades é avançar na eliminação dos lixões e na melhoria da gestão dos aterros sanitários. A expansão da coleta seletiva, a redução do desperdício e o aproveitamento energético dos resíduos também aparecem entre as estratégias.
A lógica é simples: quando materiais orgânicos são descartados e se decompõem em ambientes sem oxigênio, ocorre produção de biogás rico em metano. Em vez de permitir que esse gás escape para a atmosfera, sistemas adequados podem capturá-lo e, em determinadas condições, utilizá-lo para geração de energia.
Florestas e combustíveis fósseis completam o plano
Outro conjunto de propostas está relacionado à mudança no uso da terra e às florestas. Nesse segmento, melhorar o monitoramento e fortalecer a prevenção e o combate aos incêndios em vegetação nativa estão entre as medidas apresentadas.
Já no setor energético, o foco está nas cadeias de petróleo, gás natural e carvão, nas quais vazamentos podem liberar grandes quantidades de metano durante a extração, processamento, transporte e utilização dos combustíveis.
Por isso, detectar e corrigir vazamentos, reduzir desperdícios e aprimorar o controle das operações são medidas importantes para diminuir emissões que muitas vezes passam despercebidas.
Reduzir metano pode produzir efeitos relativamente rápidos
O grande diferencial do metano está justamente em sua permanência relativamente curta na atmosfera. Enquanto o CO₂ pode permanecer por períodos muito longos no sistema climático, o metano apresenta uma vida atmosférica de aproximadamente uma década.
Isso significa que cortar emissões de metano pode ajudar a desacelerar o aquecimento em uma escala de tempo mais curta, embora a redução do CO₂ continue indispensável para enfrentar a mudança climática no longo prazo.
O novo conjunto de propostas mostra, portanto, que o Brasil não precisa partir do zero. Há alternativas para agricultura, cidades, florestas e energia.
O próximo passo é transformar essas soluções em políticas públicas, investimentos, fiscalização e práticas produtivas capazes de alcançar escala nacional. Com 21 milhões de toneladas de metano emitidas em apenas um ano, o tamanho do desafio é evidente. Ao mesmo tempo, a variedade de medidas disponíveis mostra que existe um amplo espaço para agir.
