Um dia de calor pode ser apenas desconfortável para muitos cães, mas para um Pug ou Buldogue, a mesma temperatura pode representar um desafio muito maior. O motivo está na própria anatomia dessas raças. O focinho encurtado modifica a estrutura das vias respiratórias e pode dificultar justamente um dos principais mecanismos usados pelos cães para perder calor: a respiração acelerada.
Por isso, entender como funciona a termorregulação canina é essencial para evitar que um passeio aparentemente inofensivo evolua para estresse térmico ou hipertermia.
Focinho curto muda a maneira como o cão enfrenta o calor
Diferentemente dos seres humanos, os cães não dependem principalmente da transpiração para controlar a temperatura corporal. Como possuem capacidade limitada de resfriamento pela pele, utilizam principalmente o ofegamento, que favorece a perda de calor por evaporação nas vias respiratórias.
Nos cães braquicefálicos, como Pugs, Buldogues Ingleses e Buldogues Franceses, a anatomia do crânio e das vias aéreas pode tornar esse mecanismo menos eficiente. Narinas estreitas, alterações na passagem do ar e tecidos das vias respiratórias podem aumentar o esforço necessário para respirar.
E existe um problema adicional: o próprio calor aumenta a necessidade de ofegar. Assim, o animal pode entrar em uma situação em que precisa respirar cada vez mais rápido para dissipar calor, mas encontra limitações justamente no sistema responsável por esse resfriamento.
Estudo mostra como o calor acelera essa resposta
Um estudo publicado em 11 de junho de 2026 no International Journal of Biometeorology, liderado por Pavlos Vinícius do Nascimento, avaliou 135 caminhadas realizadas por cinco cães em uma região tropical do Brasil. Os pesquisadores acompanharam temperatura corporal, temperatura da pele, frequência respiratória e consumo de água sob diferentes condições ambientais.
Os resultados mostram que a exposição ao calor aumenta rapidamente a demanda fisiológica. Quando a temperatura de globo negro ao sol ultrapassou 35 °C, a frequência respiratória aumentou de forma acentuada e o consumo de água também cresceu. Em determinadas condições, a respiração chegou a aproximadamente 287 movimentos por minuto.
O estudo não foi realizado especificamente com Pugs ou Buldogues, portanto seus resultados não devem ser interpretados como um limite exclusivo para essas raças. Porém, ele ajuda a explicar por que calor, radiação solar e exercício podem sobrecarregar os mecanismos de resfriamento dos cães.
Pequenas mudanças podem reduzir bastante o risco
Nos dias quentes, a prevenção deve começar antes mesmo de o cão apresentar sinais de desconforto. Algumas medidas simples fazem diferença:
- Prefira passeios muito cedo ou no período mais fresco do dia.
- Evite exercícios prolongados sob sol forte.
- Mantenha água fresca disponível.
- Garanta acesso a locais ventilados e com sombra.
- Não deixe o animal dentro de veículos estacionados.
- Observe o comportamento durante o passeio e interrompa a atividade diante de sinais de intolerância ao calor.
Também é importante lembrar que calor não significa apenas temperatura do ar. Radiação solar, umidade, temperatura do piso e duração da exposição influenciam o esforço necessário para manter a temperatura corporal.
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Ofegação excessiva merece atenção
O problema começa quando o organismo já não consegue compensar adequadamente o ganho de calor. Ofegação muito intensa, dificuldade para respirar, fraqueza, desorientação, salivação excessiva ou alteração do comportamento são sinais que exigem atenção imediata.
Em uma suspeita de hipertermia, o mais seguro é afastar o cão do calor e procurar atendimento veterinário rapidamente. A evolução pode ser rápida, principalmente quando existe comprometimento respiratório prévio.
Para Pugs e Buldogues, portanto, evitar o superaquecimento não significa impedir toda atividade física. Significa adaptar duração, horário e ambiente ao risco térmico individual. Em dias muito quentes, reduzir a exposição pode ser uma das medidas mais importantes para preservar a saúde do animal.
