O tempero amarelo da cozinha que age como anti-inflamatório natural contra dores no corpo 

A cúrcuma contém curcumina, estudada por seus efeitos no organismo. (Imagem: Fala Ciência)

Aquele tempero amarelo que aparece em receitas de arroz, carnes, molhos e sopas pode ter muito mais do que sabor e cor. A cúrcuma contém uma substância chamada curcumina, que vem sendo estudada pela ciência por sua possível ação sobre processos ligados à inflamação e à dor.

Isso não significa que colocar cúrcuma na comida funcione da mesma maneira que um medicamento. Porém, os estudos mostram que alguns de seus componentes podem ter efeitos interessantes no organismo.

A curcumina chama atenção por sua ação no organismo

A curcumina é um dos principais compostos presentes na cúrcuma e é justamente ela que concentra grande parte do interesse científico.

Pesquisas experimentais indicam que essa substância pode interferir em processos envolvidos na inflamação, além de apresentar ação antioxidante. Como a inflamação pode participar de diferentes tipos de dor, os pesquisadores passaram a investigar se a curcumina também poderia influenciar a maneira como as pessoas percebem esses sintomas.

Entretanto, existe um detalhe importante: o organismo não absorve toda a curcumina presente na cúrcuma com facilidade. Por isso, alguns estudos utilizam extratos ou suplementos desenvolvidos para melhorar sua absorção, que podem ser muito diferentes da quantidade de tempero usada normalmente na cozinha.

Ou seja, consumir cúrcuma como parte da alimentação é uma coisa. Utilizar um suplemento concentrado de curcumina é outra.

Pesquisa clínica testou os efeitos da cúrcuma sobre a dor

Uma pesquisa publicada na revista científica Nutrients, em 10 de janeiro de 2026, avaliou a relação entre cúrcuma e percepção da dor em adultos.

O estudo foi liderado por Leandra Durham e comparou diferentes formas de consumo de cúrcuma, incluindo a combinação com pimenta-preta. A ideia era descobrir se a piperina, uma substância encontrada na pimenta-preta, poderia aumentar a disponibilidade da curcumina no organismo.

Esse ponto é importante porque a piperina pode aumentar a absorção da curcumina, fazendo com que uma quantidade maior da substância fique disponível para o organismo.

Os pesquisadores acompanharam as avaliações de dor dos participantes e analisaram como elas variavam de acordo com as diferentes intervenções.

O estudo ajuda a entender por que a ciência não analisa apenas se uma pessoa consome cúrcuma, mas também qual quantidade é utilizada e como seus componentes são absorvidos.

Ainda assim, é preciso ter cautela. Um único estudo não permite afirmar que a cúrcuma seja capaz de acabar com dores ou substituir tratamentos médicos. Além disso, diferentes tipos de dor podem ter causas completamente distintas.

Cúrcuma na comida não é igual a suplemento

Diferenças entre usar cúrcuma como tempero ou como suplemento. (Imagem: Fala Ciência)

Usar cúrcuma como tempero pode ser uma maneira simples de acrescentar compostos bioativos à alimentação. No entanto, isso não deve ser confundido com o uso de produtos concentrados de curcumina.

Para entender melhor essa diferença:

Cúrcuma na alimentação: usada principalmente como tempero e fonte de compostos naturais.

Curcumina em suplementos: geralmente apresenta uma quantidade muito maior do composto.

Pimenta-preta: contém piperina, que pode aumentar a absorção da curcumina.

Efeito sobre a dor: ainda depende de fatores como dose, formulação e tipo de dor.

Portanto, embora a cúrcuma seja frequentemente chamada de anti-inflamatório natural, isso não significa que ela tenha o mesmo efeito de um medicamento anti-inflamatório.

O mais correto é enxergá-la como uma especiaria que contém substâncias com potencial biológico, algumas delas estudadas por seus possíveis efeitos sobre inflamação e dor. A pesquisa científica continua tentando descobrir em quais situações esses efeitos realmente podem trazer benefícios para a saúde.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn