Barriga estufada ao final do dia: os 3 alimentos saudáveis do jantar que mais causam gases 

Alguns alimentos podem aumentar gases durante a digestão. (Imagem: Doucefleur's Images via Canva)

No fim do dia, é comum perceber a barriga mais cheia, distendida ou desconfortável. E, em muitos casos, isso não significa que algo esteja errado. A alimentação pode aumentar naturalmente a produção de gases no intestino, principalmente quando o jantar reúne ingredientes ricos em carboidratos fermentáveis.

Alguns alimentos extremamente nutritivos podem produzir mais gases porque chegam ao intestino parcialmente digeridos e servem de substrato para as bactérias da microbiota. O resultado pode ser fermentação, formação de gases e sensação de estufamento.

Entre os alimentos que merecem atenção estão o feijão, a cebola e alguns vegetais ricos em fibras.

Feijão: nutritivo, mas bastante fermentável

O feijão é nutritivo, mas pode aumentar a fermentação.(Imagem: Robert Popa’s Images via Canva)

O feijão é uma excelente fonte de fibras, proteínas vegetais, minerais e outros nutrientes. Entretanto, também contém carboidratos que podem ser fermentados pelas bactérias intestinais.

Durante esse processo, ocorre produção de gases. Por isso, uma porção grande no jantar pode contribuir para aquela sensação de barriga estufada algumas horas depois.

Isso não significa que seja necessário retirar o alimento da alimentação. Pelo contrário. Para a maioria das pessoas, o feijão pode fazer parte de uma dieta equilibrada. A quantidade consumida e a tolerância individual fazem diferença.

Cebola pode surpreender quem busca uma alimentação saudável

A cebola contém carboidratos que podem provocar gases. (Imagem: Pixabay via Canva)

A cebola aparece em inúmeros pratos considerados saudáveis, mas também é uma fonte importante de carboidratos fermentáveis, especialmente os chamados frutanos.

Esses compostos podem chegar ao intestino sem serem completamente absorvidos e, posteriormente, ser utilizados pelas bactérias da microbiota. Em pessoas mais sensíveis, isso pode aumentar gases, distensão e desconforto.

Além disso, a cebola costuma aparecer em grandes quantidades como base de preparações, o que pode elevar a carga desses carboidratos em uma única refeição.

Vegetais ricos em fibras também podem aumentar a fermentação

Vegetais ricos em fibras podem aumentar o estufamento. (Imagem: Getty Images via Canva)

Vegetais são fundamentais para uma alimentação saudável, mas aumentar muito rapidamente a ingestão de fibras pode provocar mais gases e distensão abdominal.

Brócolis, couve-flor e outros vegetais crucíferos contêm fibras e carboidratos fermentáveis que podem ser utilizados pela microbiota intestinal. Para algumas pessoas, especialmente quando consumidos em grande quantidade, isso resulta em maior produção de gases.

A resposta, porém, é individual. Um alimento que causa desconforto em uma pessoa pode ser perfeitamente tolerado por outra.

Estudo investigou por que certos carboidratos causam estufamento

Uma pesquisa publicada no The American Journal of Gastroenterology, em 17 de março de 2026, teve como primeiro autor Dominic N. Farsi. O estudo, um ensaio duplo-cego, randomizado e cruzado, investigou a relação entre carboidratos fermentáveis, microbiota intestinal e sensação de estufamento.

Os pesquisadores avaliaram como características da microbiota, alimentação e fatores clínicos se relacionavam à resposta aos carboidratos fermentáveis. O trabalho ajuda a explicar por que a mesma quantidade de determinado alimento pode provocar sintomas diferentes em pessoas diferentes.

Nem todo estufamento significa que você precisa cortar alimentos

Quando a barriga aumenta de volume ao longo do dia, o primeiro impulso pode ser eliminar alimentos considerados “suspeitos”. Entretanto, isso nem sempre é necessário.

Quantidade, velocidade da refeição, consumo de fibras, composição do prato e sensibilidade individual podem influenciar os sintomas.

Além disso, gases ocasionais são uma parte normal da digestão. Se o estufamento for frequente, intenso ou vier acompanhado de dor persistente, alterações importantes do hábito intestinal ou perda de peso sem explicação, vale conversar com um profissional de saúde.

A melhor estratégia não é simplesmente eliminar alimentos saudáveis, mas entender quais ingredientes, quantidades e combinações realmente desencadeiam os sintomas.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn