Vontade doida de comer doce à tarde? O nutriente que está faltando para o seu cérebro relaxar

A vontade de doce pode não ser só hábito. (Foto: Africa Images via Canva)

É quase sempre no meio ou no fim da tarde que ela aparece. De repente, a vontade de comer um chocolate, um pedaço de bolo ou qualquer outro doce parece impossível de ignorar. Embora muita gente atribua isso apenas ao hábito ou à ansiedade, o cérebro pode estar respondendo a sinais bem mais complexos.

Em alguns casos, essa busca por açúcar está relacionada à necessidade de obter energia rápida. Em outros, pode refletir uma alimentação pobre em proteínas, nutriente essencial para a produção de neurotransmissores envolvidos no humor, na sensação de bem-estar e no controle do apetite. Quando esse equilíbrio falha, o organismo tende a procurar alimentos altamente palatáveis para compensar.

Mais proteína pode significar menos desejo por açúcar

As proteínas fornecem aminoácidos utilizados na produção de substâncias importantes para o cérebro, como serotonina e dopamina, que participam da regulação do humor, da motivação e da sensação de recompensa.

Quando as refeições têm pouca proteína e muita farinha refinada ou açúcar, é comum ocorrer uma elevação rápida da glicose, seguida por uma queda algumas horas depois. Esse processo favorece o retorno da fome e aumenta a procura por alimentos doces.

Por isso, incluir boas fontes de proteína ao longo do dia pode ajudar a manter maior estabilidade energética e proporcionar mais saciedade.

Boas opções incluem:

  • Ovos
  • Iogurte natural
  • Queijos magros
  • Peixes
  • Frango
  • Leguminosas, como feijão, lentilha e grão-de-bico

O cérebro busca recompensa quando a energia diminui

O cérebro pode provocar vontade de doce sem fome. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

O desejo por doces não depende apenas do estômago. O cérebro monitora continuamente a disponibilidade de energia e ativa circuitos relacionados ao prazer e à recompensa quando identifica necessidade de combustível rápido.

Além disso, fatores como estresse, privação de sono, longos períodos sem comer e consumo frequente de alimentos ultraprocessados podem tornar esses circuitos ainda mais sensíveis.

Como consequência, a vontade de consumir açúcar pode surgir mesmo quando a pessoa não está realmente com fome.

Novas evidências explicam como o cérebro influencia esses desejos 

Uma revisão publicada na revista científica Current Opinion in Neurobiology, em 9 de junho de 2025, liderada por Clare E. Hancock, analisou os mecanismos que controlam os chamados desejos específicos por nutrientes.

Os pesquisadores mostram que o cérebro possui sistemas capazes de identificar necessidades nutricionais e influenciar a preferência por determinados alimentos. Segundo a revisão, diferentes sinais enviados pelo intestino, pelo metabolismo e pelo sistema nervoso participam da regulação desses comportamentos alimentares, indicando que os desejos nem sempre são apenas resultado de falta de disciplina ou hábito alimentar.

Pequenas mudanças podem reduzir a vontade de doces

Nem sempre é necessário eliminar completamente o açúcar. Em muitos casos, alguns ajustes na rotina já ajudam a diminuir esses episódios.

Vale a pena investir em hábitos como:

  • Consumir proteína em todas as refeições principais
  • Evitar passar muitas horas sem comer
  • Dormir adequadamente
  • Priorizar alimentos ricos em fibras
  • Manter boa hidratação

Essas estratégias favorecem um fornecimento mais constante de energia ao cérebro e reduzem as oscilações que costumam alimentar a vontade intensa por doces ao longo da tarde.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn