É comum tirar a meia no fim do dia e perceber uma marca profunda na canela. Na maioria das vezes, isso acontece após muitas horas em pé ou sentado e desaparece rapidamente. No entanto, quando essa marca permanece por bastante tempo, vem acompanhada de inchaço nas pernas ou deixa uma pequena depressão ao pressionar a pele, ela pode indicar a presença de edema, um acúmulo de líquido nos tecidos que merece atenção.
Embora nem todo edema seja sinal de uma doença grave, ele também pode estar relacionado a problemas que comprometem o funcionamento dos rins, do coração ou da circulação. Por isso, observar esse sinal simples pode ajudar a identificar quando é hora de procurar avaliação médica.
O pequeno teste que ajuda a perceber o edema
Existe uma forma bastante conhecida de avaliar o chamado edema depressível, também conhecido como edema com cacifo.
O teste é simples:
- Pressione o polegar sobre a parte da frente da canela por cerca de 5 segundos.
- Retire o dedo e observe a pele.
- Se permanecer uma pequena depressão por alguns segundos, pode haver retenção de líquido.
Esse teste não substitui o diagnóstico médico, mas funciona como um indicativo de que o organismo pode estar acumulando líquido além do esperado.
Vale lembrar que uma marca superficial deixada apenas pelo elástico da meia nem sempre representa edema.
Pequenos sinais que podem indicar um problema maior
O edema pode surgir por situações temporárias, como calor intenso, longos períodos sentado ou consumo excessivo de sal. Nesses casos, costuma melhorar após repouso ou elevação das pernas.
Entretanto, alguns sinais merecem maior atenção:
- Inchaço persistente por vários dias.
- Edema presente ao acordar.
- Falta de ar.
- Ganho rápido de peso.
- Diminuição da quantidade de urina.
- Inchaço que acomete as duas pernas de forma importante.
Quando esses sintomas aparecem, é importante investigar causas sistêmicas.
Rins e coração estão entre as principais causas do edema
Os rins são responsáveis por eliminar o excesso de água e sódio através da urina. Quando sua função está comprometida, ocorre maior retenção de líquidos, favorecendo o aparecimento de edema.
Já nas doenças do coração, especialmente na insuficiência cardíaca, a circulação do sangue se torna menos eficiente. Como consequência, parte do líquido permanece acumulada nas pernas e tornozelos devido ao aumento da pressão dentro das veias.
Além dessas condições, doenças do fígado, alterações das veias e alguns medicamentos também podem provocar inchaço nas pernas.
Nova pesquisa busca tornar a avaliação do edema mais objetiva
Um estudo publicado em 9 de janeiro de 2026 na revista científica Circulation Reports, liderado por Eiichiro Sato, apresentou uma tecnologia baseada em inteligência artificial capaz de quantificar automaticamente o edema depressível por meio de vídeos da região da canela.
A pesquisa avaliou pacientes em hemodiálise, com e sem insuficiência cardíaca, e mostrou que o método conseguiu identificar diferentes graus de edema com boa precisão. Os autores destacam que ferramentas objetivas poderão facilitar o acompanhamento da retenção de líquidos, principalmente em pessoas com doenças renais e cardiovasculares.
Avaliação médica evita que um sinal simples passe despercebido
Quando o edema persiste, o médico pode solicitar exames para descobrir sua origem, como:
- Exames de sangue para avaliar rins e eletrólitos.
- Exame de urina.
- Ecocardiograma, quando há suspeita de insuficiência cardíaca.
- Ultrassonografia das pernas, se houver suspeita de alterações venosas.
Quanto antes a causa for identificada, maiores são as chances de tratar o problema antes que ele provoque complicações.
A marca da meia pode parecer um detalhe sem importância, mas, quando vem acompanhada de inchaço persistente, merece atenção. Observar o próprio corpo e procurar avaliação médica diante de sinais que não desaparecem é uma forma simples de cuidar da saúde e identificar precocemente alterações nos rins, coração ou na circulação.
