O erro que todo mundo comete com as roupas de inverno que ataca a rinite em minutos

Tecidos acumulam partículas que irritam as vias aéreas. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

Com a chegada dos dias frios, é comum abrir o guarda-roupa e retirar casacos, cobertores e roupas de lã que ficaram meses sem uso. O problema é que muitas pessoas cometem um erro simples: vestem essas peças imediatamente, sem higienizar ou arejar antes do primeiro uso.

Para quem tem rinite alérgica, esse hábito pode ser suficiente para desencadear uma crise com espirros, coceira no nariz, coriza e sensação de nariz congestionado. A reação não acontece porque a roupa provoca a doença, mas porque tecidos armazenados por longos períodos podem acumular poeira, partículas ambientais e alérgenos capazes de ativar o sistema imunológico.

Durante o inverno, quando portas e janelas costumam permanecer mais fechadas, a exposição a esses agentes pode aumentar dentro de casa.

O que fica acumulado nos tecidos durante meses?

Roupas guardadas em armários, caixas ou gavetas podem funcionar como locais onde pequenas partículas do ambiente ficam retidas. Entre os principais componentes encontrados em tecidos estão:

  • poeira doméstica;
  • resíduos microscópicos presentes no ambiente;
  • partículas liberadas por ácaros;
  • fragmentos orgânicos que podem favorecer reações alérgicas.

Os ácaros domésticos são um dos principais responsáveis por desencadear sintomas em pessoas sensíveis. Esses organismos microscópicos se alimentam de resíduos orgânicos e seus componentes podem permanecer misturados à poeira acumulada em diferentes superfícies.

Por isso, uma peça retirada diretamente do armário pode carregar partículas que ficaram concentradas durante o período em que permaneceu sem uso.

Por que a reação pode aparecer tão rapidamente?

A rinite alérgica acontece quando o sistema imunológico identifica determinadas partículas como uma ameaça e inicia uma resposta inflamatória.

Após o contato com um alérgeno, o organismo pode liberar substâncias como a histamina, responsável por sintomas conhecidos, como:

  • espirros em sequência;
  • coceira no nariz e nos olhos;
  • aumento da secreção nasal;
  • sensação de nariz bloqueado.

Em pessoas sensibilizadas, essa resposta pode surgir pouco tempo após o contato com o agente desencadeador. Entretanto, a intensidade varia conforme cada organismo e depende da quantidade de partículas presentes no ambiente.

Estudo identifica alérgenos em poeiras de tecidos domésticos

Uma pesquisa publicada na revista científica Building and Environment, em 1º de maio de 2026, avaliou a presença de ácaros e microrganismos na poeira acumulada em tecidos domésticos.

O estudo, liderado por Shiyi Zhang, analisou amostras de poeira têxtil em diferentes ambientes regionais da China, investigando características de ocorrência de ácaros e possíveis associações com microrganismos presentes nesses materiais.

Os pesquisadores observaram que fatores como tipo de tecido, condições ambientais, umidade e características da residência influenciavam a presença desses componentes. A análise mostrou que materiais têxteis podem atuar como reservatórios de partículas ambientais, incluindo elementos associados a processos alérgicos.

Embora o trabalho não tenha avaliado especificamente roupas de inverno retiradas de armários, seus resultados ajudam a compreender como tecidos mantidos em ambientes domésticos podem acumular partículas capazes de incomodar pessoas com sensibilidade respiratória.

Cuidados simples antes de usar roupas guardadas

Para reduzir a exposição a possíveis agentes irritantes, algumas medidas podem ajudar:

  • lavar roupas de inverno antes do primeiro uso da estação;
  • deixar casacos e cobertores expostos ao ar por algumas horas;
  • manter armários limpos e ventilados;
  • evitar guardar tecidos úmidos;
  • reduzir o acúmulo de poeira nos locais de armazenamento.

Além disso, pessoas com rinite frequente, asma ou outras alergias respiratórias podem se beneficiar de ambientes mais arejados e de cuidados constantes com tecidos utilizados no dia a dia.

Aquela roupa de frio retirada do fundo do armário parece inofensiva, mas pode carregar meses de poeira acumulada. Com pequenas mudanças na rotina, é possível diminuir a exposição a partículas irritantes e aproveitar o inverno com mais conforto.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn