É uma situação mais comum do que parece: a pessoa toma suplemento de vitamina D, segue as orientações médicas e, ainda assim, os exames mostram níveis abaixo do esperado. Nesses casos, a causa nem sempre está na dose utilizada ou na falta de exposição ao sol. Um mineral frequentemente esquecido pode estar influenciando esse resultado: o magnésio.
Embora receba menos atenção, o magnésio participa de centenas de reações químicas no organismo. Entre elas está a ativação da vitamina D, etapa indispensável para que ela exerça suas funções relacionadas à saúde óssea, ao funcionamento muscular e ao sistema imunológico.
Sem magnésio, a vitamina D pode não atuar plenamente
A vitamina D obtida pela alimentação, pelos suplementos ou produzida pela pele após a exposição solar precisa passar por transformações no fígado e nos rins até se tornar biologicamente ativa.
Essas reações dependem da ação de enzimas que utilizam o magnésio como cofator. Quando esse mineral está em baixa concentração, esse processo pode se tornar menos eficiente.
Além disso, o magnésio também participa da regulação do paratormônio (PTH), hormônio essencial para o equilíbrio entre vitamina D, cálcio e metabolismo ósseo.
Por isso, em algumas pessoas, corrigir apenas a deficiência de vitamina D pode não ser suficiente se houver uma deficiência importante de magnésio.
A ciência continua esclarecendo essa relação
O papel do magnésio na ativação da vitamina D tem recebido cada vez mais atenção dos pesquisadores. Uma revisão publicada na revista Current Nutrition Reports, em 24 de março de 2026, com autoria principal de Anastasia Papagiannidou, destacou que o magnésio é um cofator indispensável para as enzimas responsáveis pela ativação da vitamina D.
Os autores também observaram que a deficiência de magnésio pode reduzir a resposta à suplementação de vitamina D, tornando mais difícil alcançar níveis adequados em algumas pessoas. Apesar disso, a revisão ressalta que a relação é complexa e depende de fatores como estado nutricicional, doenças associadas e níveis iniciais de ambos os nutrientes.
Nem toda vitamina D baixa tem a mesma causa
A deficiência de vitamina D pode ocorrer por diversos motivos. Entre os mais comuns estão:
- Pouca exposição ao sol.
- Baixa ingestão alimentar.
- Obesidade.
- Doenças intestinais que prejudicam a absorção.
- Alterações no fígado ou nos rins.
- Deficiência de magnésio.
Por isso, quando os níveis permanecem baixos apesar da suplementação, vale investigar outros fatores em vez de simplesmente aumentar a dose por conta própria.
A alimentação também faz parte da solução
Boas fontes de magnésio incluem:
- Castanhas e amêndoas.
- Sementes de abóbora e chia.
- Espinafre e outras folhas verde-escuras.
- Feijão e lentilha.
- Grãos integrais.
- Abacate.
Entretanto, a suplementação só deve ser realizada quando houver indicação de um profissional de saúde, já que tanto o excesso quanto a deficiência de minerais podem trazer consequências ao organismo.
Se sua vitamina D continua baixa mesmo com suplementação, investigar os níveis de magnésio pode ser um passo importante. Afinal, para que a vitamina D cumpra seu papel, ela depende de uma série de processos bioquímicos, e o magnésio é uma das peças fundamentais desse mecanismo.
