Muitas mulheres chegam à perimenopausa acreditando que o cansaço constante faz parte apenas do envelhecimento. No entanto, essa sensação de perda de energia costuma ter uma explicação biológica muito mais complexa. Conforme os níveis de estrogênio começam a oscilar e diminuir, diversas funções do organismo sofrem alterações, incluindo aquelas responsáveis pela manutenção da massa muscular.
Esse processo pode tornar atividades antes simples mais cansativas, além de dificultar a preservação da força física. A boa notícia é que compreender o que acontece com o organismo permite adotar estratégias capazes de minimizar esses efeitos e favorecer um envelhecimento mais saudável.
O hormônio que faz mais do que regular o ciclo menstrual
O estrogênio participa de muito mais funções do que a maioria das pessoas imagina. Além de sua atuação no sistema reprodutivo, ele exerce influência sobre os músculos esqueléticos, os ossos, o metabolismo e até a recuperação após esforços físicos.
Durante a perimenopausa, os níveis hormonais passam por grandes oscilações. Como consequência, muitas mulheres percebem sintomas como:
- Fadiga persistente;
- Redução da força muscular;
- Maior dificuldade para ganhar ou manter músculos;
- Recuperação mais lenta após exercícios;
- Sensação de perda de disposição.
Essas mudanças acontecem porque o estrogênio participa de mecanismos envolvidos na síntese de proteínas musculares, na comunicação entre as fibras musculares e na resposta do organismo aos processos inflamatórios decorrentes do exercício.
Por que manter a massa muscular fica mais difícil?
A partir da meia-idade, homens e mulheres já apresentam uma tendência natural de perder massa muscular. Entretanto, na mulher, a chegada da perimenopausa pode acelerar esse processo devido às alterações hormonais.
Com menos estrogênio circulante, o organismo pode apresentar menor eficiência na manutenção das fibras musculares. Além disso, fatores frequentemente associados a essa fase, como sono de pior qualidade, alterações de humor e redução da prática de atividade física em razão do cansaço, contribuem para ampliar essa perda.
Isso cria um ciclo em que menos músculos significam menor resistência física, favorecendo ainda mais a sensação de fadiga durante as atividades do dia a dia.
Ligação entre estrogênio e massa muscular ganha novas evidências
Uma revisão publicada em 17 de fevereiro de 2026 no Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle, liderada por Campbell Menzies, analisou as evidências disponíveis sobre a relação entre menopausa, hormônios femininos e massa muscular.
Os autores observaram que a redução do estrogênio coincide com mudanças importantes na fisiologia muscular. A revisão indica que esse hormônio participa da regulação do metabolismo das proteínas musculares, da recuperação dos tecidos e da qualidade da função muscular. Embora outros fatores também influenciem a perda de massa muscular, as alterações hormonais da transição para a menopausa representam um componente importante desse processo.
Os pesquisadores também destacam que ainda são necessários estudos clínicos de alta qualidade para compreender completamente como essas alterações ocorrem em diferentes mulheres.
Há formas de reduzir esse impacto
Embora a queda hormonal seja um processo natural, alguns hábitos ajudam a preservar a massa muscular e a capacidade funcional durante a perimenopausa.
Entre as medidas mais recomendadas estão:
- Praticar exercícios de força regularmente;
- Consumir proteínas em quantidade adequada ao longo do dia;
- Dormir bem sempre que possível;
- Manter uma alimentação equilibrada;
- Buscar acompanhamento médico quando os sintomas forem intensos.
Essas estratégias favorecem a manutenção da força, da mobilidade e da qualidade de vida, além de contribuírem para um envelhecimento mais saudável.
Entender que o cansaço da perimenopausa não é apenas uma questão de falta de disposição ajuda muitas mulheres a buscar abordagens mais adequadas para essa fase. O conhecimento científico mostra que as mudanças hormonais afetam diretamente o funcionamento dos músculos, tornando o cuidado com a saúde física ainda mais importante durante essa transição.
