Alergias e circulação podem escurecer a região dos olhos 

Alergias crônicas podem piorar olheiras profundas. (Foto: Getty Images via Canva)
Alergias crônicas podem piorar olheiras profundas. (Foto: Getty Images via Canva)

As olheiras profundas são frequentemente associadas à falta de sono, mas essa é apenas uma parte da explicação. Em muitos casos, o aspecto escurecido e a sensação de “fundo” abaixo dos olhos estão ligados a alterações na circulação venosa facial, além de processos inflamatórios crônicos, especialmente em pessoas com alergias respiratórias recorrentes.

A região periocular possui características anatômicas únicas, como pele extremamente fina, pouca gordura subcutânea e intensa vascularização. Isso faz com que pequenas mudanças no fluxo sanguíneo ou na inflamação local se tornem visíveis rapidamente.

Circulação facial altera o aspecto da região dos olhos

  • A pele ao redor dos olhos é fina e altamente vascularizada
  • A congestão venosa facial escurece a região infraorbital
  • Alergias crônicas aumentam inflamação local
  • Fatores genéticos influenciam a profundidade das olheiras

A congestão venosa ocorre quando o retorno do sangue na região facial se torna menos eficiente. Isso pode levar ao acúmulo de sangue com menor oxigenação, resultando em uma coloração mais escura sob os olhos.

Esse processo pode ser mais evidente em pessoas com predisposição anatômica, como vasos mais superficiais ou estruturas ósseas que favorecem sombras naturais na região.

Além disso, hábitos como estresse, privação de sono e alterações hormonais podem agravar esse quadro ao interferirem na microcirculação.

Alergias crônicas e a inflamação que marca o olhar

As alergias respiratórias crônicas, como rinite alérgica, têm papel importante no surgimento ou piora das olheiras profundas. Isso acontece porque a inflamação constante na mucosa nasal interfere no retorno venoso da face, dificultando a drenagem sanguínea adequada.

Outro fator relevante é o hábito de esfregar os olhos, comum em crises alérgicas, que pode intensificar a pigmentação local e aumentar a irritação da região periocular.

Entre os principais mecanismos envolvidos estão:

  • liberação de histamina e mediadores inflamatórios
  • dilatação dos vasos sanguíneos
  • aumento de edema leve e persistente
  • pigmentação pós-inflamatória gradual

Mecanismos das olheiras

Uma pesquisa publicada em 08 de julho de 2025, na Revista de Dermatologia Cosmética, conduzida por Robert Thomas Brady e Sabrina Shah-Desai, trouxe evidências importantes sobre a complexidade das olheiras periorbitais.

O estudo “Eficácia clínica de uma nova formulação tópica no tratamento de olheiras periorbitais: uma análise objetiva” analisou diferentes mecanismos envolvidos no escurecimento da região abaixo dos olhos e demonstrou que as olheiras não são causadas por um único fator.

Os autores destacam que há participação combinada de alterações vasculares, pigmentares e estruturais da pele, com impacto direto na aparência da região periocular. A análise objetiva por imagem mostrou que o componente vascular tem papel relevante na intensidade das olheiras, especialmente quando associado ao afinamento da pele e variações anatômicas locais. 

Outros fatores que influenciam a intensidade das olheiras

Além da circulação e das alergias, outros elementos podem agravar o quadro:

  • Predisposição genética
  • Perda de volume facial com o envelhecimento
  • Exposição solar sem proteção
  • Desidratação cutânea
  • Fadiga e estresse crônico

Esses fatores podem atuar em conjunto, intensificando a aparência escurecida e aprofundada da região infraorbital.

Olheiras vão além da estética

Embora muitas vezes tratadas apenas como uma questão estética, as olheiras profundas persistentes podem refletir alterações fisiológicas importantes. Em especial, quando associadas a sintomas alérgicos ou respiratórios, podem indicar um componente inflamatório e vascular ativo.

A região abaixo dos olhos funciona como uma área altamente sensível às mudanças na microcirculação e inflamação local. Por isso, compreender as olheiras profundas exige uma visão integrada entre anatomia, imunologia e fluxo venoso facial.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn

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