Nem sempre tomar sol resolve a deficiência de vitamina D

Sol sozinho nem sempre corrige a vitamina D. (Foto: Maridav via Canva)
Sol sozinho nem sempre corrige a vitamina D. (Foto: Maridav via Canva)

Durante muito tempo, a vitamina D foi lembrada principalmente por sua importância para os ossos. Hoje, a ciência mostra que seu papel vai muito além. Esse nutriente participa do funcionamento de diversas células do sistema imunológico, ajudando o organismo a responder de forma equilibrada contra vírus, bactérias e outros agentes invasores.

Apesar disso, muitas pessoas acreditam que basta tomar alguns minutos de sol para corrigir uma deficiência. Na prática, essa estratégia nem sempre funciona. Diversos fatores podem limitar a produção da vitamina D pela pele, tornando necessária uma avaliação individualizada.

A vitamina D é uma aliada das células de defesa

Diferentemente de outras vitaminas, a vitamina D atua de forma semelhante a um hormônio, influenciando a atividade de diferentes tecidos do corpo.

No sistema imunológico, ela participa da regulação de células como linfócitos T, linfócitos B, macrófagos e células dendríticas, contribuindo para uma resposta mais eficiente e equilibrada. Além disso, ajuda na produção de peptídeos antimicrobianos, moléculas capazes de dificultar a proliferação de diversos microrganismos.

Quando seus níveis estão baixos, esse equilíbrio pode ser comprometido, favorecendo respostas inflamatórias inadequadas e aumentando a vulnerabilidade a algumas infecções.

Por que o sol nem sempre resolve o problema?

Embora a exposição aos raios UVB estimule a produção de vitamina D na pele, diversos fatores influenciam esse processo.

Entre eles estão:

  • Horário da exposição solar.
  • Uso de protetor solar.
  • Cor da pele.
  • Idade.
  • Estação do ano.
  • Tempo passado em ambientes fechados.
  • Obesidade e algumas doenças intestinais, que podem reduzir a absorção ou alterar o metabolismo da vitamina.

Por isso, mesmo pessoas que vivem em regiões ensolaradas podem apresentar deficiência.

Em alguns casos, somente a exposição solar não consegue restabelecer níveis adequados, sendo necessária orientação médica para investigar as causas e definir a melhor abordagem.

O que mostram as pesquisas mais recentes?

Um estudo publicado na revista Scientific Reports, conduzido por Emilia Gospodarska e publicado em 19 de maio de 2025, analisou como a suplementação de vitamina D influencia o funcionamento do sistema imunológico.

Os pesquisadores observaram alterações na expressão de genes relacionados às células de defesa após a suplementação, demonstrando que a vitamina D participa da regulação da resposta imunológica em nível molecular. Os resultados ajudam a explicar por que esse nutriente exerce funções que vão além da saúde óssea.

Como saber se existe deficiência?

A deficiência de vitamina D nem sempre provoca sintomas específicos. Algumas pessoas apresentam:

  • Cansaço persistente.
  • Fraqueza muscular.
  • Dores ósseas.
  • Maior frequência de infecções.

No entanto, muitas permanecem sem qualquer manifestação perceptível.

A confirmação depende da dosagem sanguínea da 25-hidroxivitamina D, exame solicitado quando existe indicação clínica.

Suplementar sem orientação também merece cuidado

Embora a deficiência de vitamina D seja comum em algumas populações, isso não significa que todas as pessoas precisem utilizar suplementos.

O excesso dessa vitamina pode causar aumento dos níveis de cálcio no sangue, favorecendo complicações como cálculos renais e alterações cardiovasculares.

Por isso, a decisão sobre suplementação deve considerar exames laboratoriais, histórico clínico e orientação de um profissional de saúde.

Manter níveis adequados de vitamina D envolve um conjunto de fatores, incluindo alimentação, exposição solar consciente e, quando necessário, suplementação individualizada. Cuidar desse equilíbrio é uma estratégia importante para preservar não apenas a saúde dos ossos, mas também o bom funcionamento do sistema imunológico.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn

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