A montanha de Marte que faz o Everest parecer pequeno

O maior vulcão do Sistema Solar fica em Marte e supera qualquer montanha da Terra. (Imagem: Fala Ciência via Gemini)

Se você acha o Monte Everest impressionante, prepare-se para conhecer uma montanha que parece saída da ficção científica. Em Marte existe uma estrutura tão gigantesca que torna o pico mais alto da Terra relativamente modesto em comparação.

Trata-se do Olympus Mons, o maior vulcão conhecido do Sistema Solar. Com aproximadamente 22 quilômetros de altura e centenas de quilômetros de largura, ele domina a paisagem marciana de uma forma que não encontra equivalente em nosso planeta.

Mas como Marte conseguiu formar uma estrutura tão colossal? A resposta envolve diferenças profundas entre a geologia marciana e a terrestre.

Um gigante que desafia a imaginação

O Olympus Mons não é apenas alto. Ele também é extremamente amplo.

Sua base possui cerca de 600 quilômetros de diâmetro, uma distância comparável à que separa muitas capitais de grandes países. Se essa montanha estivesse na Terra, ocuparia uma área maior do que diversos estados brasileiros.

Gostou dessa notícia?

Siga o canal do Fala Ciência no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão!

Entrar no Canal do WhatsApp

Além disso, suas encostas são relativamente suaves. Isso acontece porque ele pertence à categoria dos vulcões-escudo, formados por sucessivas camadas de lava fluida que se espalham lentamente ao longo do tempo.

O resultado é uma montanha gigantesca, com formato semelhante a um enorme escudo deitado sobre a superfície do planeta.

Por que Marte conseguiu construir algo tão grande?

A principal explicação está em uma característica geológica fundamental: Marte não possui placas tectônicas ativas como a Terra.

Em nosso planeta, a crosta está dividida em placas que se movimentam continuamente. Quando um vulcão se forma sobre uma fonte de magma, a placa acaba se deslocando ao longo do tempo.

Isso faz com que a atividade vulcânica mude de posição, impedindo que um único vulcão cresça indefinidamente.

Já em Marte a situação é diferente.

Como sua crosta permaneceu relativamente estável durante longos períodos geológicos, a mesma região pôde ser alimentada por magma durante milhões de anos. Dessa forma, o Olympus Mons continuou acumulando material sem que a fonte vulcânica mudasse de lugar.

Uma gravidade menor também ajudou

Outro fator importante é a gravidade marciana, que corresponde a apenas cerca de 38% da gravidade terrestre.

Com uma força gravitacional menor atuando sobre as rochas, estruturas gigantescas conseguem se sustentar mais facilmente sem colapsar sob o próprio peso.

Essa condição favoreceu o crescimento contínuo do vulcão ao longo de sua história.

Entre os fatores que contribuíram para o surgimento do Olympus Mons estão:

  • Ausência de tectônica de placas ativa
  • Longos períodos de atividade vulcânica
  • Gravidade mais baixa que a da Terra
  • Acúmulo contínuo de fluxos de lava

A combinação desses elementos criou as condições ideais para o nascimento de um verdadeiro colosso planetário.

Uma janela para o passado de Marte

O Olympus Mons não é apenas uma curiosidade geológica. Ele também fornece pistas valiosas sobre a evolução do Planeta Vermelho.

Ao estudar sua estrutura, os cientistas conseguem reconstruir aspectos do passado marciano, incluindo sua atividade interna, composição geológica e dinâmica térmica.

Essas informações ajudam a responder perguntas fundamentais sobre como Marte evoluiu ao longo de bilhões de anos e por que se tornou tão diferente da Terra.

Quando observamos imagens do Olympus Mons, estamos diante de muito mais do que uma montanha gigantesca. Estamos vendo o resultado de processos geológicos que atuaram durante eras inteiras e produziram a maior construção vulcânica conhecida em todo o Sistema Solar. Uma prova impressionante de que, quando se trata de paisagens extremas, Marte continua sendo um dos mundos mais fascinantes já explorados pela ciência.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes