Wegovy em comprimido surge como alternativa promissora contra obesidade

Wegovy oral oferece emagrecimento eficaz sem injeções. (Foto: Getty Images via Canva)
Wegovy oral oferece emagrecimento eficaz sem injeções. (Foto: Getty Images via Canva)

A batalha contra a obesidade, que impacta milhões ao redor do mundo, ganha uma nova alternativa. Tradicionalmente, os análogos de GLP-1 são aplicados por meio de injeções semanais, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, usados tanto no controle do diabetes tipo 2 quanto da perda de peso. Porém, avanços científicos possibilitam a administração desses medicamentos em comprimidos, oferecendo a mesma eficácia das injeções com a praticidade da via oral.

Essa inovação marca um passo significativo no manejo da obesidade, ampliando opções para pacientes que enfrentam barreiras com terapias injetáveis. A primeira geração desses comprimidos, como o Wegovy oral de 25 mg, apresenta resultados comparáveis às canetas, abrindo caminho para uma nova abordagem na farmacoterapia do emagrecimento.

Como funcionam as novas pílulas

As pílulas exploram o mesmo mecanismo dos análogos de GLP-1:

  • Aumento da saciedade, reduzindo a ingestão calórica espontânea
  • Controle glicêmico, beneficiando pacientes com diabetes tipo 2
  • Perda de peso significativa, semelhante às versões injetáveis

Além do Wegovy oral, a Eli Lilly desenvolve o orforgliprona, outro comprimido promissor que passou com sucesso em ensaios clínicos internacionais. A expectativa é que ambos os medicamentos estejam disponíveis primeiro no exterior, com ainda nenhuma previsão para o Brasil.

Por que essa inovação é relevante?

Os Estados Unidos, por exemplo, enfrentam taxas alarmantes de obesidade. Pesquisas recentes indicam que, considerando métricas mais amplas do que apenas o IMC, cerca de 75% da população adulta americana se enquadra no diagnóstico de obesidade. Com uma demanda crescente por tratamentos mais acessíveis e eficazes, os comprimidos de GLP-1 surgem como uma alternativa prática para o manejo da doença.

A disponibilidade de pílulas facilita a adesão ao tratamento, especialmente em pacientes que apresentam resistência a injeções ou preferem métodos menos invasivos. Isso pode gerar melhorias consistentes em perda de peso, metabolismo e saúde cardiovascular quando combinado com dieta balanceada e atividade física regular.

Perspectivas futuras e segurança

Embora os resultados iniciais sejam promissores, é fundamental que os pacientes utilizem esses medicamentos sob supervisão médica, considerando possíveis efeitos colaterais, como náuseas, desconforto gastrointestinal e pancreatite, já documentados em terapias com GLP-1. Estudos adicionais são necessários para avaliar a segurança a longo prazo e o impacto na saúde metabólica global.

A chegada das pílulas representa também uma oportunidade para pesquisa farmacológica e inovação nacional, com potencial para novas formulações, combinações terapêuticas e acesso ampliado em diferentes regiões do mundo.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn