Variante genética foi associada à obesidade e ao diabetes tipo 2 em adultos

Estudo investigou uma variante genética ligada à obesidade e ao diabetes. (Imagem: Pixabay)

A predisposição ao diabetes tipo 2 e à obesidade não depende apenas da alimentação, do sedentarismo ou de outros hábitos cotidianos. As características genéticas também podem influenciar o risco de desenvolver essas condições, embora não determinem, sozinhas, o destino de uma pessoa.

Uma pesquisa publicada em outubro de 2026 identificou uma variante genética associada às duas doenças em adultos tailandeses. O estudo investigou o gene FTO, conhecido por sua relação com a regulação do peso corporal, e encontrou uma associação particularmente relevante com a variante chamada rs9939609.

Os resultados ajudam a compreender por que algumas pessoas podem apresentar maior predisposição a alterações metabólicas. No entanto, ter essa variante não significa que alguém necessariamente desenvolverá obesidade ou diabetes.

Gene FTO chama a atenção pela relação com o metabolismo

O gene FTO está entre os genes estudados por sua associação com características relacionadas ao peso corporal e ao metabolismo. Algumas de suas variantes estão ligadas a diferenças na suscetibilidade à obesidade e ao diabetes tipo 2.

Nesse novo trabalho, os pesquisadores avaliaram duas variantes genéticas, chamadas rs9939609 e rs1421085, em 798 adultos tailandeses. Desse total, 448 participantes tinham diabetes tipo 2 e 350 faziam parte do grupo de controle.

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A análise identificou associações entre as duas variantes e a ocorrência de diabetes tipo 2 e obesidade. Entretanto, a rs9939609 apresentou a associação mais forte com o diabetes.

Segundo os resultados, cada cópia adicional do alelo associado ao risco correspondeu a uma razão de chances de 1,60 para diabetes tipo 2. Em termos simples, isso representa chances estimadas 60% maiores por cópia desse alelo no modelo analisado, e não um aumento absoluto de 60 pontos percentuais no risco de desenvolver a doença.

Além disso, a associação com o diabetes permaneceu mesmo quando os pesquisadores analisaram os participantes separadamente conforme a presença ou ausência de obesidade. Isso sugere que a relação genética observada não foi explicada apenas pelo peso corporal.

Variante rs9939609 pode influenciar a atividade do gene

Entenda como a variante rs9939609 altera a atividade do gene FTO. (Imagem ilustrativa: Fala Ciência)

Além de examinar a associação entre as variantes e as doenças, os cientistas investigaram se elas estavam relacionadas à atividade do gene FTO.

Para isso, avaliaram a expressão do RNA mensageiro, uma molécula que participa do processo de utilização das informações genéticas pelas células para produzir proteínas.

Em um subgrupo de 152 participantes, os indivíduos que carregavam o alelo associado ao risco da variante rs9939609 apresentaram maior expressão do RNA mensageiro do FTO em células do sangue. Já a outra variante investigada não apresentou a mesma diferença.

Esse resultado oferece uma pista sobre possíveis mecanismos biológicos envolvidos na associação observada. Ainda assim, como a análise da expressão foi realizada em células sanguíneas, não é possível concluir que o mesmo padrão ocorra necessariamente nos tecidos que controlam o apetite, armazenam gordura ou regulam a glicose.

Pesquisa publicada em 2026 investigou o risco genético

O estudo foi publicado em 26 de outubro de 2026, na revista científica Scientific Reports, com Metha Yaikwawong como primeira autora. O trabalho avaliou a relação entre variantes do gene FTO, obesidade, diabetes tipo 2 e expressão genética em adultos tailandeses.

Os resultados apontaram a rs9939609 como o principal sinal de associação entre as variantes analisadas. Entretanto, os pesquisadores destacam uma limitação importante: o estudo tem delineamento transversal, que permite identificar associações, mas não comprovar que uma variante genética seja a causa direta das doenças.

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Genética não elimina a importância dos hábitos saudáveis

Embora os genes possam contribuir para a predisposição à obesidade e ao diabetes tipo 2, o desenvolvimento dessas condições envolve uma combinação de fatores genéticos, ambientais e comportamentais.

Alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado e acompanhamento médico continuam sendo importantes para a prevenção e o controle de alterações metabólicas.

Além disso, os resultados obtidos em adultos tailandeses não podem ser automaticamente generalizados para todas as populações. São necessárias outras pesquisas para esclarecer como essa variante atua em diferentes grupos e quais mecanismos biológicos estão envolvidos.

A descoberta amplia o conhecimento sobre a participação da genética no metabolismo, mas não significa que seja necessário realizar testes genéticos de rotina para prever essas doenças.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica e editora de saúde do Portal Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação na internet, garantindo que o conteúdo seja sempre baseado em rigor técnico, empatia e evidências científicas de qualidade. Ver perfil no LinkedIn