A demência é uma das maiores preocupações de saúde pública do século XXI, especialmente diante do envelhecimento da população mundial. Embora fatores como envelhecimento e genética desempenhem um papel importante, um novo estudo internacional revela que o lugar onde uma pessoa vive também pode influenciar significativamente seu risco de desenvolver a doença. A pesquisa analisou dados de mais de 214 mil idosos em 14 países e mostrou que os principais fatores de risco modificáveis variam de acordo com características sociais, econômicas e de saúde de cada população.
A descoberta desafia a ideia de que exista uma estratégia única capaz de prevenir a demência em todo o mundo. Ao mesmo tempo, os resultados indicam que muitas dessas condições podem ser controladas, abrindo novas oportunidades para políticas de saúde mais eficientes.
Os fatores de risco mudam de um país para outro
Os pesquisadores avaliaram 12 fatores de risco modificáveis já reconhecidos pela Comissão Lancet sobre Demência. Entre eles estavam:
- Hipertensão arterial
- Baixa escolaridade
- Tabagismo
- Obesidade
- Depressão
- Perda auditiva
- Inatividade física
- Isolamento social
Os resultados mostraram diferenças marcantes entre os países analisados. A baixa escolaridade, por exemplo, foi muito mais frequente em algumas regiões asiáticas do que em países de alta renda. Já o índice de massa corporal elevado (IMC) apresentou prevalência muito maior em determinadas populações ocidentais.
Essas diferenças indicam que o risco de demência não depende apenas de fatores biológicos, mas também das condições de vida e do contexto em que cada população está inserida.
Existem padrões que se repetem em diferentes populações
Apesar das diferenças entre os países, os pesquisadores identificaram um aspecto importante: vários fatores de risco costumam aparecer em conjunto.
Foi observado, por exemplo, que doenças cardiometabólicas, como hipertensão e colesterol elevado, frequentemente ocorrem na mesma pessoa. Da mesma forma, hábitos como tabagismo e consumo excessivo de álcool também tendem a estar associados.
Esses padrões sugerem que estratégias capazes de controlar diversos fatores simultaneamente podem gerar benefícios ainda maiores para a prevenção da demência.
Prevenção personalizada pode ser mais eficiente
Os resultados indicam que programas de prevenção precisam considerar as características específicas de cada população.
Em algumas regiões, investir em educação, controle da pressão arterial e acesso aos serviços de saúde pode produzir maior impacto. Em outras, combater a obesidade, estimular a prática de atividade física e reduzir o tabagismo pode representar uma estratégia mais eficaz.
Além disso, integrar o tratamento de diferentes doenças cardiovasculares pode reduzir vários fatores de risco ao mesmo tempo, tornando as ações de saúde pública mais eficientes.
O risco pode ser reduzido ao longo da vida
Uma das mensagens mais importantes do estudo é que muitos fatores associados à demência não são inevitáveis. Embora a idade continue sendo o principal fator de risco, diversos hábitos e condições clínicas podem ser modificados durante toda a vida.
Controlar a pressão arterial, manter uma alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos, preservar a saúde auditiva, evitar o cigarro e permanecer socialmente ativo são medidas que podem contribuir para reduzir o risco de comprometimento cognitivo na terceira idade.
O estudo foi publicado em 2026 na revista científica The Lancet Healthy Longevity, com autoria principal de Emma Nichols, e também apresentado na Alzheimer’s Association International Conference (AAIC) 2026. Os resultados mostram que compreender as diferenças entre as populações pode ser essencial para desenvolver estratégias mais eficazes de prevenção da demência em todo o mundo.
