Sentiu dor muscular com a estatina? Saiba o que fazer antes de desistir 

Dor muscular pode ocorrer durante o uso de estatinas. (Foto: Getty Images via Canva)

Os medicamentos para reduzir o colesterol alto, especialmente as estatinas, estão entre os tratamentos mais eficazes para prevenir infarto e AVC. No entanto, algumas pessoas relatam dores musculares, sensação de peso nas pernas ou cansaço incomum após iniciar o tratamento.

Embora esse efeito colateral possa causar preocupação, interromper a medicação por conta própria não é a melhor escolha. Em muitos casos, existem estratégias capazes de aliviar os sintomas sem abrir mão da proteção cardiovascular oferecida pelas estatinas.

A primeira atitude deve ser sempre conversar com o médico responsável pelo tratamento para identificar a verdadeira causa da dor.

Nem toda dor muscular é provocada pela estatina

É comum associar qualquer desconforto muscular ao medicamento. Entretanto, a dor pode ter outras origens, como:

  • Exercício físico intenso realizado recentemente.
  • Deficiência de vitamina D.
  • Alterações da tireoide.
  • Outras doenças musculares.
  • Uso de medicamentos que interagem com a estatina.

Quando a dor realmente está relacionada ao tratamento, ela costuma atingir músculos maiores, como coxas, panturrilhas, ombros e braços, geralmente de forma bilateral.

Por isso, a avaliação médica é fundamental antes de qualquer mudança na medicação.

Pequenas mudanças podem reduzir bastante o desconforto

Estatinas protegem o coração, mas merecem atenção. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

Dependendo da intensidade dos sintomas, o médico pode adotar diferentes estratégias para melhorar a tolerância ao tratamento.

Entre elas estão:

  • Reduzir a dose da estatina.
  • Trocar por outra estatina, que pode ser melhor tolerada.
  • Ajustar o horário de uso.
  • Investigar e corrigir outras causas da dor.
  • Associar medicamentos não estatínicos quando necessário.

Além disso, manter uma boa hidratação, evitar excesso de atividade física durante episódios de dor intensa e seguir corretamente as orientações médicas contribuem para uma recuperação mais confortável.

O mais importante é não interromper o tratamento sem orientação, já que isso pode aumentar significativamente o risco cardiovascular.

Novas evidências ajudam médicos a diferenciar a causa da dor 

Uma pesquisa publicada no Journal of Clinical Lipidology, em 12 de janeiro de 2026, liderada por Luke G. Silverman-Lloyd, avaliou o uso de uma plataforma digital para acompanhar pessoas com sintomas musculares associados às estatinas (SAMS).

Os pesquisadores observaram que o monitoramento contínuo dos sintomas por meio de mensagens e registros em tempo real foi bem aceito pelos participantes e pode facilitar a comunicação entre pacientes e médicos. A estratégia ajuda a identificar quando a dor realmente está relacionada ao medicamento e favorece decisões mais individualizadas, reduzindo interrupções desnecessárias do tratamento.

O benefício da estatina costuma superar os efeitos colaterais

Embora a dor muscular possa ocorrer em parte dos pacientes, ela geralmente pode ser controlada com ajustes no tratamento. Além disso, muitas dores atribuídas às estatinas acabam tendo outra explicação após uma investigação adequada.

Por isso, quem utiliza esses medicamentos deve manter o acompanhamento médico e relatar qualquer sintoma novo. Com uma avaliação cuidadosa, é possível aliviar o desconforto e continuar protegido contra doenças cardiovasculares, preservando os benefícios que as estatinas oferecem a longo prazo.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn