Os efeitos da poluição atmosférica podem ir muito além dos problemas respiratórios. Uma nova pesquisa conduzida pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo identificou uma forte relação entre a exposição prolongada ao ar poluído e o aumento das internações por doenças renais crônicas.
O estudo analisou mais de 37 mil hospitalizações registradas na cidade de São Paulo entre 2011 e 2021. Os dados foram comparados com índices de poluição atmosférica e mostraram que a exposição contínua às chamadas partículas finas inaláveis pode elevar significativamente o risco de complicações renais. Entre os principais fatores associados ao problema estão:
- Exposição frequente à fumaça de veículos;
- Alta concentração de partículas finas no ar;
- Inflamações provocadas por poluentes na corrente sanguínea;
- Ambientes urbanos com tráfego intenso;
- Longos períodos respirando ar contaminado.
Como a poluição pode atingir os rins?
Embora os pulmões sejam os primeiros órgãos afetados pela poluição, as partículas microscópicas inaladas conseguem atravessar o sistema respiratório e alcançar a circulação sanguínea.
Depois disso, esses resíduos podem se acumular nos rins, órgãos responsáveis por filtrar o sangue e eliminar toxinas do organismo. Com o tempo, esse processo favorece inflamações e danos progressivos ao tecido renal.
Os pesquisadores observaram que pessoas expostas constantemente à poluição apresentaram risco até 2,5 vezes maior de hospitalização por doenças renais crônicas.

Veículos aparecem como principais fontes de poluentes
Os resultados também apontaram que a maior parte dos poluentes associados às internações está relacionada à fuligem liberada por automóveis e outros veículos urbanos.
A capital paulista possui uma das maiores frotas de veículos do país, fator que contribui diretamente para o aumento da concentração de partículas nocivas no ar, especialmente em áreas densamente urbanizadas.
Além disso, a pesquisa evidencia como os impactos da poluição podem ocorrer de maneira silenciosa, muitas vezes sem sintomas imediatos perceptíveis.
Qualidade do ar se torna questão de saúde pública
O estudo, publicado na revista científica Scientific Reports, reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à redução da emissão de poluentes urbanos.
Especialistas também alertam para a importância de acompanhar os índices de qualidade do ar, principalmente em períodos críticos de poluição intensa. Entre algumas medidas preventivas recomendadas estão:
- Evitar exercícios ao ar livre em dias muito poluídos;
- Reduzir exposição prolongada ao trânsito intenso;
- Priorizar ambientes com melhor ventilação;
- Acompanhar alertas sobre qualidade do ar.
Os resultados reforçam que a poluição atmosférica não afeta apenas o sistema respiratório, mas pode comprometer diversos órgãos do corpo, incluindo estruturas fundamentais para o equilíbrio do organismo, como os rins.

