Óleo de hortelã-pimenta reduz pressão arterial em apenas 20 dias, aponta estudo 

Estudo avaliou o efeito da hortelã sobre a pressão arterial. (Imagem: Fala Ciência)

A hortelã-pimenta costuma aparecer em chás, balas e produtos usados para proporcionar sensação de frescor. Agora, entretanto, um ensaio clínico colocou seus compostos em outro contexto: a pressão arterial.

Pesquisadores avaliaram se a suplementação com óleo de hortelã-pimenta poderia influenciar parâmetros cardiovasculares em adultos com pré-hipertensão ou hipertensão estágio 1. Depois de apenas 20 dias, o grupo que recebeu o óleo apresentou uma redução significativa na pressão arterial sistólica em comparação com o placebo.

O resultado é interessante, mas precisa ser interpretado com cuidado. Trata-se de um estudo pequeno e de curta duração, portanto ainda não é suficiente para considerar o óleo de hortelã-pimenta um tratamento para hipertensão.

A queda apareceu justamente no número mais alto da pressão

Queda de 8,48 mmHg na pressão sistólica com óleo de hortelã-pimenta. (Imagem: Fala Ciência)

A pressão arterial é representada por dois valores. O primeiro, chamado pressão sistólica, corresponde à força exercida pelo sangue contra as artérias quando o coração se contrai. O segundo é a pressão diastólica, registrada durante o relaxamento cardíaco.

No estudo, a pressão sistólica ajustada após 20 dias foi, em média, 8,48 mmHg menor no grupo que recebeu óleo de hortelã-pimenta do que no grupo placebo. A diferença apresentou significância estatística.

Gostou dessa notícia?

Siga o canal do Fala Ciência no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão!

Entrar no Canal do WhatsApp

O estudo utilizou 40 adultos, distribuídos aleatoriamente entre os dois grupos. Os participantes receberam suplementação duas vezes ao dia durante 20 dias, enquanto o grupo controle recebeu uma preparação placebo com sabor semelhante.

Além da pressão arterial, os pesquisadores acompanharam frequência cardíaca, pressão diastólica, medidas corporais, alguns parâmetros sanguíneos, bem-estar psicológico e qualidade do sono.

Mentol e flavonoides entram no radar dos pesquisadores

A Mentha × piperita, nome científico da hortelã-pimenta, contém diferentes substâncias bioativas, entre elas mentol e flavonoides.

Esses compostos despertam interesse por suas propriedades biológicas. No entanto, o estudo não permite afirmar que um único componente seja responsável pela redução observada na pressão.

Também é importante não confundir o consumo habitual de hortelã em alimentos ou bebidas com a suplementação concentrada de óleo de hortelã-pimenta utilizada no ensaio. São exposições diferentes e não devem ser tratadas como equivalentes.

Leia também:

Pesquisadores testaram o óleo de hortelã contra a pressão elevada

A pesquisa foi publicada em 23 de abril de 2026 na revista PLOS ONE. O autor principal é Jonathan Sinclair, da University of Lancashire. O trabalho teve como objetivo avaliar os efeitos cardiovasculares da suplementação em pessoas com pré-hipertensão ou hipertensão estágio 1.

Os pesquisadores registraram alta adesão ao protocolo, de 93,3% no grupo da hortelã-pimenta. Houve apenas uma perda de acompanhamento e um evento adverso, ambos nesse grupo.

Resultado promissor não significa substituir o tratamento

Apesar da redução observada, é fundamental evitar uma conclusão precipitada. Quarenta participantes e 20 dias de acompanhamento representam uma amostra e um período pequenos para determinar se o efeito permanece durante meses ou anos.

Além disso, pessoas que utilizam medicamentos anti-hipertensivos não devem interromper ou modificar o tratamento por conta própria para experimentar óleo de hortelã-pimenta.

A hipertensão é uma condição que exige acompanhamento porque aumenta o risco de infarto, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e doença renal. Alimentação equilibrada, atividade física, controle do peso, sono adequado e medicamentos quando indicados continuam sendo componentes importantes do cuidado.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn