Ter um peso considerado saudável nem sempre significa que o organismo esteja livre de alterações metabólicas. Um exemplo disso é a gordura no fígado, condição que pode estar presente até em pessoas sem obesidade e que vem sendo investigada por sua relação com a saúde cardiovascular.
Um estudo publicado na revista científica Scientific Reports identificou uma associação entre a esteatose hepática e a presença de placas nas artérias carótidas, vasos sanguíneos que transportam sangue para o cérebro. O resultado chama a atenção para um aspecto importante: avaliar apenas o peso corporal pode não ser suficiente para identificar alterações relacionadas à saúde das artérias.
Gordura no fígado pode passar despercebida em pessoas magras
A esteatose hepática ocorre quando há acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado. Embora seja frequentemente associada ao excesso de peso, ela também pode aparecer em pessoas com índice de massa corporal (IMC) dentro da faixa considerada normal.
Diversos fatores podem contribuir para essa condição, incluindo alterações no metabolismo da glicose e das gorduras, resistência à insulina, consumo de álcool e predisposição genética.
Em muitos casos, a esteatose não provoca sintomas evidentes. Por isso, algumas pessoas só descobrem a alteração durante exames de rotina.
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Entrar no Canal do WhatsAppAlém disso, a ausência de obesidade não elimina a possibilidade de alterações metabólicas capazes de afetar outros órgãos. É nesse contexto que os pesquisadores investigaram a relação entre a gordura no fígado e as placas nas artérias.
Pesquisa analisou mais de 68 mil adultos
Publicado em 26 de outubro de 2026, na revista científica Scientific Reports, o estudo foi liderado por Hai Long Qi e colaboradores.
Os pesquisadores analisaram 95.157 registros de exames de saúde de 68.761 adultos. A presença de gordura no fígado foi identificada por ultrassonografia, enquanto os exames também permitiram avaliar a ocorrência de placas nas artérias carótidas.
Os resultados mostraram que a esteatose hepática estava associada a uma maior probabilidade de encontrar essas placas, mesmo após ajustes estatísticos para outros fatores.
A associação também apareceu entre pessoas com IMC normal que apresentavam gordura no fígado. Nesse grupo, a probabilidade de presença de placas foi aproximadamente 23% maior em comparação com pessoas de IMC normal sem esteatose hepática, segundo a estimativa ajustada do estudo.
Já entre participantes com IMC elevado e gordura no fígado, a associação também foi observada.
Por outro lado, o grupo com IMC igual ou superior a 24 kg/m², mas sem esteatose hepática, não apresentou associação estatisticamente significativa no modelo principal.
É importante destacar que esses resultados indicam uma associação estatística, não uma comprovação de que a gordura no fígado provoque diretamente a formação de placas.
Por que as placas nas carótidas merecem atenção?
As artérias carótidas ficam na região do pescoço e transportam sangue até o cérebro. As placas podem se formar quando substâncias, como colesterol e outros componentes, se acumulam na parede dos vasos.
Esse processo faz parte da aterosclerose, condição que pode estreitar as artérias e, em determinadas circunstâncias, contribuir para eventos como o acidente vascular cerebral (AVC).
No estudo, os pesquisadores também encontraram associações entre a presença de placas e diferentes indicadores metabólicos em pessoas com IMC normal e gordura no fígado, incluindo medidas relacionadas ao colesterol, aos triglicerídeos e ao ácido úrico.
Esses resultados sugerem que pessoas com peso normal podem apresentar perfis metabólicos diferentes entre si. Entretanto, ainda são necessários estudos adicionais para determinar se esses indicadores ajudam a prever a progressão das placas ou a ocorrência de eventos cardiovasculares.
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Peso normal não substitui a avaliação da saúde metabólica
A pesquisa destaca a importância de olhar além da balança. Uma pessoa pode não ter obesidade e, mesmo assim, apresentar alterações no fígado ou fatores metabólicos associados à saúde cardiovascular.
Isso não significa que todas as pessoas com esteatose hepática desenvolverão placas nas artérias. O estudo foi transversal e avaliou a presença dessas alterações, sem estabelecer qual surgiu primeiro nem demonstrar uma relação de causa e efeito.
Para cuidar da saúde, é importante manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e acompanhar indicadores como glicemia, colesterol e triglicerídeos conforme a orientação profissional. Quando necessário, o médico pode solicitar exames para investigar alterações no fígado.
