A transmissão de dados acaba de alcançar uma escala impressionante. Pesquisadores conseguiram enviar 1,02 petabits de informação por segundo ao longo de 1.808,1 quilômetros, usando uma fibra óptica com 19 núcleos dentro de um revestimento de tamanho convencional.
O feito estabelece um novo marco para a combinação entre velocidade e distância de transmissão, mostrando como novas arquiteturas de fibra podem ampliar drasticamente a capacidade das redes sem exigir cabos com dimensões muito maiores.
O trabalho, liderado por RS Luis e colaboradores, foi apresentado na Optical Fiber Communication Conference e abre novas possibilidades para a infraestrutura que precisará sustentar o crescimento acelerado do tráfego de dados.
Uma única fibra ganhou 19 caminhos para os dados
Nas fibras ópticas tradicionais, as informações são transportadas por sinais luminosos que percorrem um núcleo. A proposta utilizada nesse experimento é diferente: 19 núcleos compartilham o mesmo revestimento externo.
Na prática, isso cria vários caminhos capazes de transportar informações simultaneamente dentro de uma estrutura que mantém 0,125 milímetro de diâmetro de revestimento, dimensão compatível com fibras ópticas convencionais.
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Entrar no Canal do WhatsAppA fibra foi projetada pela Sumitomo Electric Industries, enquanto o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação e Comunicações do Japão (NICT) liderou o desenvolvimento do sistema de transmissão e os testes.
Entretanto, aumentar a quantidade de núcleos não seria suficiente. Para chegar a distâncias superiores a 1.800 quilômetros, era necessário reduzir as perdas e desenvolver um sistema capaz de amplificar os sinais ópticos sem comprometer a transmissão.
O sinal percorreu o equivalente a 21 viagens pela fibra
No experimento descrito por Luis et al., os pesquisadores utilizaram um trecho de fibra com 86,1 quilômetros dentro de um sistema de recirculação.
O sinal passou pelo circuito 21 vezes, atingindo a distância total de 1.808,1 quilômetros. Durante o percurso, amplificadores ópticos compensaram as perdas provocadas pela propagação da luz.
Outro elemento decisivo foi o uso combinado das bandas C e L, permitindo trabalhar com um total de 180 comprimentos de onda. Cada comprimento de onda utilizou modulação 16QAM para transportar os dados.
Ao final, um receptor de 19 canais recebeu os sinais provenientes dos diferentes núcleos. Um sistema de processamento digital baseado em MIMO foi utilizado para separar os sinais e lidar com a interferência entre eles.
O resultado chegou a 1,02 petabits por segundo.
Um número ainda maior revela a dimensão do recorde
A velocidade impressiona, mas existe outra métrica importante no experimento: o produto capacidade-distância.
Essa medida combina a quantidade de dados transmitida com a distância percorrida. No estudo apresentado na OFC 2025, o valor chegou a 1,86 exabits por segundo por quilômetro, considerado pelos pesquisadores um recorde para fibras ópticas com diâmetro de revestimento padrão.
Esse ponto é especialmente importante porque transmissões superiores a 1 petabit por segundo já haviam sido demonstradas anteriormente em fibras multicore. O desafio era manter essa capacidade durante distâncias muito maiores.
A próxima geração de redes pode seguir essa direção
O avanço não significa que usuários domésticos terão internet de 1 petabit por segundo tão cedo. A demonstração ocorreu em condições experimentais e ainda existem obstáculos para transformar essa tecnologia em infraestrutura comercial.
Mesmo assim, a pesquisa aponta uma possibilidade importante para o futuro. Com o crescimento da inteligência artificial, computação em nuvem, streaming, centros de dados e serviços digitais, a quantidade de informações circulando pelas redes tende a aumentar continuamente.
Uma tecnologia capaz de colocar 19 caminhos de transmissão dentro de uma fibra com dimensões externas convencionais pode ajudar a ampliar essa capacidade sem exigir necessariamente cabos com dimensões muito maiores.
O experimento japonês, portanto, representa mais do que uma disputa por velocidade. Ele demonstra uma estratégia para transportar volumes gigantescos de dados por longas distâncias, aproximando a infraestrutura óptica das demandas de uma sociedade cada vez mais dependente de conexões de alta capacidade.
