A maioria das pessoas afunda parcialmente ao entrar na água e precisa nadar ou boiar para permanecer na superfície. Porém, existem ambientes aquáticos em que essa experiência muda completamente. Neles, a água exerce uma força de empuxo tão intensa que manter o corpo flutuando torna-se extremamente fácil.
O motivo não está em alguma propriedade misteriosa da água, mas sim em um princípio clássico da Física aliado à composição química desses ambientes.
O sal muda completamente o comportamento da água
A capacidade de um corpo flutuar depende da densidade do líquido em que ele está imerso. Quanto maior essa densidade, maior é a força de flutuabilidade exercida sobre o objeto ou sobre uma pessoa.
Quando grandes quantidades de sal ficam dissolvidas na água, sua massa aumenta sem que o volume cresça na mesma proporção. Como consequência, a água torna-se significativamente mais densa.
É exatamente isso que acontece no Mar Morto, um lago hipersalino localizado entre Israel e Jordânia. Sua concentração de sais é várias vezes superior à dos oceanos, tornando muito difícil que uma pessoa afunde completamente.
Por esse motivo, é comum ver visitantes flutuando quase sem esforço, muitas vezes lendo um livro sobre a superfície da água.
O fundo do oceano também esconde lagos
O fenômeno da alta salinidade não ocorre apenas na superfície. Em determinadas regiões profundas do oceano existem os chamados brine pools, conhecidos como lagos hipersalinos submarinos.
Essas formações surgem quando a água extremamente salgada se acumula em depressões do fundo marinho. Como sua densidade é muito maior que a da água oceânica ao redor, ela permanece separada, formando verdadeiros lagos dentro do próprio oceano.
Visualmente, parece existir uma superfície delimitando dois líquidos diferentes.
Além disso, esses ambientes apresentam características bastante peculiares:
- Salinidade extremamente elevada;
- Pouca mistura com a água do oceano;
- Baixa concentração de oxigênio;
- Fauna altamente especializada em algumas regiões.
A física explica esse fenômeno surpreendente
Tudo acontece por causa do Princípio de Arquimedes. Um corpo mergulhado em um líquido recebe uma força para cima igual ao peso do líquido deslocado.
Quando a água possui maior densidade, esse empuxo aumenta. Dessa forma, o corpo humano desloca uma massa maior de água em um pequeno volume, facilitando muito a flutuação.
É justamente essa diferença de densidade que impede a mistura rápida entre a água comum e a água extremamente salgada presente nos ambientes hipersalinos.
Um laboratório natural para a ciência
Os brine pools despertam grande interesse científico porque reproduzem condições muito diferentes das encontradas na maior parte dos oceanos. Alguns deles abrigam microrganismos adaptados a ambientes com pouca disponibilidade de oxigênio e concentrações elevadas de sal.
Além disso, esses locais ajudam a compreender como a vida consegue prosperar em condições extremas e oferecem pistas importantes para pesquisas sobre ambientes semelhantes que podem existir em outros corpos do Sistema Solar.
No fim das contas, aquele lugar onde afundar parece impossível não desafia as leis da natureza. Pelo contrário, ele demonstra como princípios simples da Física podem produzir alguns dos cenários mais impressionantes encontrados em nosso planeta.

