O glioblastoma está entre os tumores cerebrais mais agressivos e difíceis de tratar. Uma das razões é sua capacidade de sobreviver aos danos provocados pelas terapias, inclusive pela radioterapia. Agora, uma equipe de cientistas encontrou uma possível brecha molecular nesse sistema de defesa, envolvendo uma proteína chamada SET.
A descoberta não representa um novo tratamento disponível para pacientes. Porém, ela ajuda a explicar como as células do glioblastoma conseguem resistir aos efeitos da terapia e aponta um caminho para tentar torná-las mais vulneráveis.
Uma proteína ajuda o tumor a manter suas defesas
A investigação se concentrou na PP2A, uma enzima que participa do controle de processos importantes dentro das células. Entre suas funções estão a regulação de sinais relacionados ao crescimento celular e à resposta a danos no DNA.
No glioblastoma, entretanto, a atividade dessa enzima é prejudicada por três proteínas: SET, ANP32A e CIP2A. Esse bloqueio favorece mecanismos que ajudam as células tumorais a continuar sobrevivendo mesmo quando submetidas a condições desfavoráveis.
Foi justamente aí que surgiu a nova brecha.
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Entrar no Canal do WhatsAppNos experimentos, os pesquisadores interferiram nessas proteínas e observaram alterações importantes no comportamento das células do tumor. Entre os alvos estudados, SET se destacou pelo forte efeito sobre a formação dos tumores.
A fragilidade aparece quando a radiação entra em cena
A descoberta ganhou ainda mais importância quando os pesquisadores analisaram a resposta das células à radioterapia.
Ao bloquear proteínas que inibem a PP2A, os cientistas observaram mudanças em mecanismos envolvidos na resposta aos danos no DNA. Com isso, as células do glioblastoma ficaram mais vulneráveis aos efeitos da radiação e tiveram maior dificuldade para sobreviver.
Em modelos experimentais, a interferência nesses mecanismos também reduziu a formação de tumores.
A lógica por trás da estratégia é diferente de simplesmente aumentar a intensidade do tratamento. A ideia seria enfraquecer as defesas das células cancerosas, deixando a terapia existente mais eficiente contra elas.
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Uma possível nova frente contra a resistência do glioblastoma
O estudo foi publicado na revista científica Cancer Letters, em 1º de maio de 2026, tendo John Ryan Jacob como primeiro autor. O trabalho investigou a relação entre os inibidores da PP2A, as vias de sinalização do câncer e a resposta aos danos no DNA.
Os pesquisadores também avaliaram um medicamento já aprovado que aumenta a atividade da PP2A. No entanto, esse resultado não significa que o medicamento seja um tratamento para glioblastoma. A possibilidade ainda precisaria ser investigada em estudos específicos de segurança e eficácia.
Esse cuidado é fundamental porque os resultados permanecem no estágio pré-clínico. Ainda não há evidência de que bloquear SET ou as demais proteínas produza o mesmo efeito em pessoas.
Mesmo assim, identificar uma vulnerabilidade dentro de um tumor conhecido pela resistência ao tratamento é cientificamente relevante. Se estudos futuros confirmarem esses resultados, a via SET, PP2A, ANP32A e CIP2A poderá ajudar no desenvolvimento de estratégias capazes de tornar as células do glioblastoma menos preparadas para sobreviver à radioterapia.
Por enquanto, a descoberta representa uma nova pista molecular, não uma terapia pronta. Mas entender exatamente como o tumor se protege dos tratamentos é um passo importante para encontrar maneiras de romper essa defesa.
