Durante boa parte da vida, as estrelas passam por um processo natural de perda de rotação. Assim como um pião que vai desacelerando com o tempo, esses corpos celestes tendem a girar cada vez mais devagar à medida que envelhecem. No entanto, um novo estudo revelou que, perto da morte, algumas estrelas podem surpreender: em vez de apenas desacelerar, elas podem voltar a acelerar e até mudar o sentido da rotação.
A descoberta foi conduzida por pesquisadores da Universidade de Kyoto e publicada no The Astrophysical Journal, trazendo novas pistas sobre o comportamento interno de estrelas massivas pouco antes do colapso do núcleo.
O fenômeno está ligado à complexa interação entre campos magnéticos, convecção interna e transporte de momento angular, fatores que controlam a velocidade com que uma estrela gira.
Com simulações tridimensionais avançadas, os pesquisadores analisaram estrelas massivas durante as fases finais da queima de oxigênio e silício, pouco antes da formação do núcleo de ferro. Os principais achados foram:
- O campo magnético pode frear ou acelerar a rotação do núcleo;
- A geometria magnética influencia diretamente esse comportamento;
- O transporte de momento angular pode ocorrer para dentro ou para fora;
- Algumas estrelas podem impedir rotações extremamente lentas.
Esses resultados mostram que o fim da vida estelar pode ser muito mais dinâmico do que se imaginava.
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Entrar no Canal do WhatsAppO interior da estrela funciona como um motor invisível
Dentro de estrelas massivas, regiões extremamente quentes geram movimentos intensos de plasma chamados de convecção. Esse processo funciona de forma semelhante à água fervendo em uma panela, mas em escala cósmica.
Ao mesmo tempo, a estrela possui campos magnéticos poderosos que interagem com esse material em movimento. Essa combinação cria um sistema comparável ao chamado dínamo solar, responsável por sustentar o campo magnético do Sol.
Foi justamente essa relação que permitiu aos cientistas perceber que a rotação interna não depende apenas da perda de massa superficial, mas também de mecanismos profundos e invisíveis.
Quando girar mais devagar não é a única opção
Tradicionalmente, os astrônomos acreditavam que estrelas envelhecidas apenas reduziam sua rotação com o tempo. O próprio Sol perde momento angular continuamente por meio do vento solar. Porém, a nova pesquisa mostra que isso não acontece de forma tão simples em estrelas muito massivas.
Dependendo da configuração do campo magnético, o núcleo pode receber mais momento angular e girar mais rápido em vez de desacelerar. Em alguns casos, a rotação extremamente lenta pode nem ser possível. Isso significa que cada estrela pode terminar sua vida com uma assinatura rotacional única.
Asterossismologia ajuda a ouvir estrelas
Esse avanço também foi impulsionado pela asterossismologia, técnica que estuda as oscilações naturais das estrelas. Assim como terremotos ajudam a entender o interior da Terra, essas vibrações permitem medir a rotação interna e até inferir propriedades magnéticas de estrelas distantes.
Combinando observações reais e simulações em 3D, os cientistas conseguiram criar um modelo mais preciso da evolução estelar.
O impacto dessa descoberta para a astronomia
Entender como uma estrela gira antes de morrer é fundamental para prever eventos extremos como supernovas, estrelas de nêutrons e até buracos negros.
A pesquisa sugere que a teoria usada para explicar a rotação do Sol pode também se aplicar a estrelas muito maiores, indicando um possível padrão universal. Agora, o próximo passo será simular o ciclo completo de vida de diferentes tipos de estrelas, da formação ao colapso final.
