Estudo revela fósseis de pterossauros com marcas de mordida de 76 milhões de anos

Fóssil de Cryodrakon boreas preserva mordida de predador. (Foto: Caleb M. Brown via Journal of Paleontology)
Fóssil de Cryodrakon boreas preserva mordida de predador. (Foto: Caleb M. Brown via Journal of Paleontology)

Um fóssil excepcional de pterossauro juvenil foi desenterrado no Parque Provincial dos Dinossauros, em Alberta, Canadá, e apresenta evidências de uma mordida de crocodiliano de 76 milhões de anos

Publicado no Journal of Paleontology (2025), o estudo “Uma vértebra de pterossauro juvenil com possível mordida de crocodiliano do Campaniano de Alberta, Canadá”, de Caleb M. Brown et al, revela uma rara interação predador-presa do período Cretáceo, mostrando que os pterossauros juvenis eram vulneráveis aos predadores terrestres de sua época.

História do fóssil

A descoberta é uma vértebra cervical de Cryodrakon boreas, um pterossauro azhdarchídeo juvenil. Este réptil voador podia atingir até 10 metros de envergadura na fase adulta, comparável à altura de uma girafa, enquanto os juvenis tinham envergadura estimada em 2 metros.

O fóssil apresenta uma perfuração circular de aproximadamente 4 mm, resultado de um dente de crocodiliano, indicando que estes répteis predavam ou se alimentavam oportunisticamente de pterossauros jovens na região pré-histórica de Alberta.

  • O fóssil foi coletado durante um curso de campo internacional em julho de 2023
  • Tomografias computadorizadas de microfoco descartaram danos por fossilização ou escavação
  • Marca representa a primeira evidência na América do Norte de crocodilianos atacando pterossauros juvenis

Técnicas modernas revelam detalhes 

Pterossauro juvenil serviu de presa para crocodilianos antigos. (Foto: Caleb M. Brown via Journal of Paleontology)
Pterossauro juvenil serviu de presa para crocodilianos antigos. (Foto: Caleb M. Brown via Journal of Paleontology)

Para confirmar a origem da perfuração, os pesquisadores combinaram:

  • Microtomografia computadorizada (micro-CT) para examinar a estrutura interna do osso
  • Comparações com outras vértebras de pterossauros juvenis
  • Análises detalhadas da forma e tamanho da perfuração

Essa abordagem científica assegurou que a marca fosse uma evidência real de predação ou consumo e não um dano pós-fossilização.

Relevância científica da descoberta

O estudo oferece insights valiosos sobre dinâmicas ecológicas do Cretáceo:

  • Confirma que pterossauros juvenis eram presas de crocodilianos pré-históricos
  • Mostra interações predador-presa no Canadá há 76 milhões de anos
  • Complementa registros europeus, como fósseis na Romênia com marcas similares
  • Ajuda a compreender comportamento alimentar e ecossistemas antigos

O Parque Provincial dos Dinossauros continua sendo um local-chave para descobertas paleontológicas, permitindo reconstruir a vida e o ambiente do período Cretáceo.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes