O consumo de mirtilo pode ter efeitos interessantes sobre a circulação sanguínea no cérebro, especialmente durante o envelhecimento. Uma pesquisa clínica publicada em outubro de 2026 identificou mudanças no fluxo de sangue em regiões cerebrais relacionadas ao controle cognitivo após três meses de consumo da fruta. O resultado chama a atenção porque a circulação cerebral adequada é importante para fornecer oxigênio e nutrientes aos neurônios.
Além disso, o estudo investigou se os compostos antioxidantes presentes no mirtilo poderiam aumentar os níveis de glutationa no cérebro, uma substância que ajuda a proteger as células contra danos oxidativos. Entretanto, os resultados mostraram diferenças entre esses dois mecanismos.
Mirtilo pode influenciar a circulação sanguínea em regiões importantes do cérebro
O mirtilo é uma fruta rica em polifenóis, especialmente antocianinas, compostos naturais associados a propriedades antioxidantes e efeitos sobre a saúde cardiovascular.
Essas substâncias despertam interesse científico porque podem atuar sobre o funcionamento dos vasos sanguíneos, incluindo o endotélio, camada de células que reveste internamente os vasos e participa do controle da circulação.
No cérebro, manter um fluxo sanguíneo adequado é fundamental. Afinal, os neurônios dependem do fornecimento contínuo de oxigênio e nutrientes para realizar suas atividades.
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Entrar no Canal do WhatsAppCom o envelhecimento, entretanto, podem ocorrer alterações na circulação cerebral e nas defesas antioxidantes. Esses processos são investigados por sua possível participação no declínio cognitivo e em doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
Por isso, os pesquisadores procuraram descobrir se incluir mirtilos regularmente na alimentação poderia produzir mudanças mensuráveis nesses mecanismos.
Ensaio clínico acompanhou idosos durante três meses
A pesquisa foi conduzida por In-Young Choi e colaboradores e publicada em 28 de outubro de 2026 no The American Journal of Clinical Nutrition.
O trabalho foi um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, considerado um desenho importante para avaliar os efeitos de uma intervenção alimentar.
Participaram adultos com idades entre 65 e 89 anos, que tinham baixo consumo habitual de frutas vermelhas, equivalente a uma porção semanal ou menos.
Os voluntários foram divididos em dois grupos:
- Um recebeu diariamente pó de mirtilo integral liofilizado, em quantidade equivalente a uma xícara de fruta fresca.
- O outro recebeu um produto placebo, desenvolvido para servir de comparação.
A intervenção durou três meses. Ao final, 60 participantes haviam concluído o acompanhamento, com adesão superior a 92% nos dois grupos.
Para avaliar possíveis mudanças no cérebro, os cientistas utilizaram exames de ressonância magnética capazes de medir o fluxo sanguíneo cerebral e as concentrações de glutationa.
Circulação aumentou em áreas relacionadas ao controle cognitivo
Um dos resultados mais interessantes apareceu no córtex cingulado anterior, região cerebral envolvida em funções como atenção, tomada de decisões e controle cognitivo.
Em comparação com o grupo placebo, os participantes que consumiram mirtilo apresentaram aumento significativo do fluxo sanguíneo nessa área.
As análises também identificaram aumentos dentro do grupo que recebeu a fruta em outras duas estruturas cerebrais:
- Núcleo caudado: participa de circuitos relacionados ao movimento, aprendizagem e comportamento.
- Putâmen: integra circuitos envolvidos no controle dos movimentos e em processos de aprendizagem.
Nessas regiões, os aumentos observados foram de aproximadamente 7% e 6%, respectivamente.
É importante diferenciar esses resultados: o aumento no córtex cingulado anterior foi significativo na comparação entre os grupos, enquanto os resultados no núcleo caudado e no putâmen foram observados nas análises realizadas dentro do grupo que consumiu mirtilo.
Efeito antioxidante esperado não apareceu nos exames
Apesar das mudanças na circulação, os pesquisadores não identificaram aumento significativo nos níveis cerebrais de glutationa em comparação com o placebo.
A glutationa é um antioxidante produzido naturalmente pelo organismo. Sua função inclui neutralizar moléculas oxidantes que, em excesso, podem prejudicar estruturas celulares.
Esse resultado sugere que os possíveis efeitos do mirtilo observados no ensaio estão mais relacionados à modulação dos vasos sanguíneos do que ao aumento das defesas antioxidantes cerebrais.
Entretanto, isso não significa que a fruta não tenha propriedades antioxidantes. Significa apenas que o estudo não encontrou mudanças mensuráveis na concentração cerebral de glutationa durante o período avaliado.
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Mirtilo pode ajudar a preservar a saúde cerebral?
A pesquisa abre uma possibilidade interessante para o estudo da alimentação e do envelhecimento cerebral. Afinal, alterações na circulação sanguínea podem interferir no fornecimento de oxigênio e nutrientes necessários ao funcionamento dos neurônios.
Entretanto, é necessário interpretar os resultados com cautela. O ensaio acompanhou um número relativamente pequeno de participantes durante três meses e não demonstrou melhora da memória, prevenção do Alzheimer ou redução do risco de demência.
Portanto, ainda são necessários estudos maiores e com acompanhamento prolongado para esclarecer se as mudanças observadas produzem benefícios cognitivos duradouros.
Mesmo assim, o mirtilo pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, ao lado de outras frutas, verduras e alimentos ricos em fibras e compostos bioativos.
