A enxaqueca vai além da dor de cabeça. Durante uma crise, o ambiente microscópico do cérebro pode apresentar mudanças relacionadas à distribuição de água entre as células. Essa possibilidade foi investigada por pesquisadores usando técnicas avançadas de ressonância magnética, que identificaram diferenças associadas à presença da dor e à gravidade da doença.
O que acontece no cérebro durante a enxaqueca?
O estudo avaliou 120 pessoas com enxaqueca e 52 participantes saudáveis por meio de exames de ressonância magnética de difusão. Os pesquisadores investigaram características do microambiente intersticial, formado pelos espaços entre as células cerebrais.
Essa região participa das trocas de água e substâncias no tecido nervoso e está relacionada ao sistema glinfático, envolvido na circulação de fluidos cerebrais. Entretanto, as técnicas utilizadas não medem diretamente o funcionamento desse sistema.
Ressonância magnética revelou diferenças importantes
Os resultados mostraram que pessoas com enxaqueca acompanhada de dor durante o exame apresentavam menor fração de volume extracelular e maior fração de volume intracelular em determinadas regiões da substância branca cerebral.
Alterações semelhantes apareceram em participantes com enxaqueca crônica associada ao uso excessivo de medicamentos. As regiões envolvidas incluíram o corpo caloso, o cíngulo e áreas relacionadas à comunicação entre diferentes partes do cérebro.
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Entrar no Canal do WhatsAppPor outro lado, pessoas com enxaqueca episódica não apresentaram diferenças significativas nessas medidas em comparação com os participantes saudáveis.
A pesquisa foi publicada por Roberta Messina, autora principal, na revista científica Cephalalgia, em 13 de outubro de 2026. O trabalho utilizou ressonância magnética multimodal para investigar mudanças no ambiente cerebral associadas às diferentes manifestações da enxaqueca.
As alterações provocam a dor?
Os resultados não demonstram que essas mudanças sejam a causa das crises. Além disso, os pesquisadores não encontraram diferenças significativas no índice DTI-ALPS, um marcador indireto relacionado à movimentação de água nos espaços perivasculares.
Portanto, ainda não é possível afirmar que exista uma alteração no funcionamento do sistema glinfático em pessoas com enxaqueca.
Os achados sugerem que o microambiente cerebral pode variar conforme a fase da doença, especialmente quando há dor ou quadros mais graves. Estudos futuros deverão acompanhar pacientes antes, durante e depois das crises para esclarecer se essas mudanças são temporárias e qual é sua relação com os mecanismos da enxaqueca.
