4 medicamentos muito comuns que podem prejudicar os rins se usados sem controle

Combinações de remédios podem aumentar o risco de lesão renal. (Imagem ilustrativa: Fala Ciência).

Os rins trabalham silenciosamente para filtrar o sangue, controlar a quantidade de água no organismo e eliminar substâncias que o corpo não precisa. Justamente por isso, alguns medicamentos muito comuns merecem atenção: quando usados na dose errada, por tempo excessivo ou combinados sem orientação, podem aumentar o risco de lesão renal.

O problema não está necessariamente no medicamento em si. Muitos desses remédios são seguros e importantes quando utilizados corretamente. O risco aparece principalmente quando existe automedicação, desidratação, doença renal prévia ou combinação inadequada de medicamentos.

Entre os exemplos que merecem atenção estão alguns anti-inflamatórios, diuréticos e medicamentos para pressão arterial.

O problema pode estar no uso, não apenas no remédio

Guia sobre como AINEs, diuréticos e IECAs afetam a saúde dos rins. (Imagem ilustrativa: Fala Ciência).

Nem todo medicamento que pode afetar os rins é perigoso por si só. Dose, frequência, duração do tratamento e combinação com outros remédios fazem diferença. O risco também pode aumentar em situações como desidratação ou quando a pessoa já apresenta alguma alteração na função renal. Por isso, antes de tomar um medicamento por conta própria, vale conhecer quais opções comuns exigem maior atenção quando o assunto é a saúde dos rins.

Mas quais são os medicamentos que merecem mais atenção? Veja quatro remédios muito comuns que podem representar riscos aos rins quando usados de forma inadequada ou em determinadas combinações:

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1. Ibuprofeno

O ibuprofeno pertence ao grupo dos anti-inflamatórios não esteroides, conhecidos como AINEs. É bastante utilizado para dores, febre e processos inflamatórios.

Nos rins, porém, esses medicamentos podem reduzir a produção de substâncias chamadas prostaglandinas, que ajudam a manter o fluxo sanguíneo renal em determinadas situações.

O risco pode aumentar quando a pessoa está desidratada, especialmente durante episódios de vômitos, diarreia, febre intensa ou baixa ingestão de líquidos.

Por isso, tomar ibuprofeno repetidamente por conta própria não é uma prática tão inofensiva quanto pode parecer.

2. Diclofenaco

Outro medicamento conhecido é o diclofenaco, também pertencente aos AINEs. Assim como o ibuprofeno, ele pode interferir nos mecanismos que ajudam a preservar a circulação dentro dos rins.

Isso não significa que uma dose ocasional necessariamente provoque dano renal. O problema está principalmente no uso frequente, doses elevadas e associação com outros medicamentos que afetam a função dos rins.

Além disso, pessoas idosas ou com problemas renais, cardíacos ou de pressão arterial podem apresentar maior vulnerabilidade.

3. Furosemida

A furosemida é um diurético, medicamento que aumenta a eliminação de água e sal pela urina. É utilizada em situações como retenção de líquidos e algumas doenças cardíacas e renais.

Entretanto, seu efeito sobre o volume de líquidos do organismo exige acompanhamento médico. Quando ocorre uma redução excessiva do volume circulante, a chegada de sangue aos rins pode diminuir, favorecendo uma lesão renal aguda em determinadas circunstâncias.

Por isso, aumentar ou diminuir a dose por conta própria pode ser perigoso.

4. Enalapril

O enalapril pertence aos inibidores da enzima conversora de angiotensina, conhecidos como IECAs. É usado principalmente no tratamento da hipertensão arterial e de algumas doenças cardiovasculares.

Embora medicamentos dessa classe possam ter efeitos protetores sobre os rins em determinadas doenças e situações de longo prazo, eles também alteram a pressão dentro dos glomérulos. Em situações específicas, principalmente quando há desidratação ou combinação com outros medicamentos, a função renal pode sofrer alterações.

Por isso, interromper ou modificar o tratamento sem orientação também não é recomendado.

A combinação que merece atenção especial

Um dos maiores problemas não está apenas em um medicamento isolado, mas na combinação de diferentes classes.

Um estudo publicado em 7 de março de 2026 no Journal of Pharmaceutical Health Care and Sciences, tendo Yuki Kunitsu como primeiro autor, analisou dados de 92.880 pessoas no Japão. Os pesquisadores observaram a relação entre medicamentos que atuam no sistema renina-angiotensina, diuréticos e AINEs e episódios de lesão renal aguda.

A pesquisa mostrou que o risco aumentava conforme mais classes eram utilizadas simultaneamente. Entre as combinações analisadas, a associação de diuréticos e AINEs apresentou o maior risco, enquanto os diuréticos de alça foram a classe de diuréticos associada ao maior risco no estudo.

Isso ajuda a explicar por que a automedicação pode ser problemática. Uma pessoa pode tomar um anti-inflamatório para uma dor enquanto já utiliza um diurético ou medicamento para pressão, sem perceber que a combinação modifica o risco para os rins.

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Nem todo problema renal dá sinais imediatos

Outro ponto importante é que uma alteração da função renal pode surgir sem sintomas claros no começo. Por isso, não é seguro esperar dor ou alguma mudança evidente na urina para concluir que está tudo bem.

O uso de medicamentos deve considerar dose, duração, outras substâncias utilizadas, idade, hidratação e condições de saúde.

Assim, o objetivo não é criar medo dos medicamentos, mas evitar o uso sem controle. Remédios importantes podem se tornar perigosos quando utilizados fora da indicação ou combinados sem acompanhamento profissional.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn