Aquele bafo forte que toma conta do ambiente quando o cachorro abre a boca não deve ser encarado apenas como uma característica comum dos pets. Muitas vezes, o mau hálito persistente está relacionado ao acúmulo de bactérias na boca e ao desenvolvimento de problemas que afetam dentes e gengivas.
Tudo começa de maneira discreta. Após as refeições, resíduos de alimentos e bactérias se acumulam sobre os dentes, formando uma película conhecida como placa bacteriana. Sem uma higiene adequada, essa camada pode endurecer e se transformar em tártaro, aderindo cada vez mais à superfície dentária.
Com o passar do tempo, o problema deixa de ser apenas estético. A presença contínua de bactérias pode irritar as gengivas e favorecer um processo inflamatório chamado doença periodontal.
O bafo forte pode ser o primeiro sinal
O mau hálito costuma estar entre os sinais mais fáceis de perceber em casa. Entretanto, ele não aparece sozinho. Conforme a saúde bucal se deteriora, outros sintomas podem surgir.
Fique atento principalmente a:
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Entrar no Canal do WhatsApp- Gengivas vermelhas, inchadas ou que sangram
- Dentes amarelados ou cobertos por depósitos endurecidos
- Salivação excessiva
- Dificuldade ou desconforto para mastigar
- Perda de dentes
- Sensibilidade ao tocar na boca
- Alteração no comportamento durante as refeições
Um detalhe importante é que os cães nem sempre demonstram claramente que estão sentindo dor. Por isso, um animal que continua comendo normalmente ainda pode apresentar alterações importantes na boca.
O que acontece quando o tártaro se acumula
O tártaro funciona como uma superfície que facilita a permanência de bactérias ao redor dos dentes. A inflamação pode começar na gengiva e, quando a doença periodontal avança, atingir estruturas que sustentam os dentes.
Esse processo pode provocar retração da gengiva, formação de bolsas periodontais, perda óssea e, em casos mais avançados, perda dentária.
Além disso, quanto mais tempo o problema permanece sem tratamento, mais difícil tende a ser controlar a infecção e recuperar a saúde da boca.
Estudo encontrou mudanças na microbiota dos cães
A relação entre doença periodontal e alterações na comunidade de bactérias da boca foi investigada em um estudo publicado na revista Scientific Reports.
Liderado por Jeongwoong Park, o trabalho foi publicado em 1º de abril de 2026 e comparou a microbiota oral de cães saudáveis com a de animais afetados pela doença periodontal.
Os pesquisadores identificaram mudanças importantes na diversidade e na organização das comunidades microbianas presentes na boca dos cães com doença periodontal. O estudo também apontou alterações no potencial funcional dessa microbiota.
Esses achados ajudam a mostrar que a doença periodontal envolve muito mais do que simplesmente dentes amarelados. O ambiente microbiano da boca muda conforme o problema se desenvolve, acompanhando o processo inflamatório que afeta os tecidos periodontais.
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A prevenção começa muito antes do tártaro aparecer
A melhor maneira de proteger a saúde bucal do cachorro é impedir que a placa bacteriana permaneça acumulada por muito tempo. A escovação regular dos dentes, realizada com produtos apropriados para animais, é uma das principais estratégias de higiene.
Além disso, avaliações veterinárias são importantes para identificar alterações que não conseguem ser observadas facilmente pelo tutor.
Portanto, se o cachorro apresenta bafo persistente, tártaro visível, gengivas avermelhadas ou dificuldade para mastigar, o ideal é não esperar o problema avançar.
Afinal, aquele cheiro desagradável pode ser apenas a parte mais perceptível de algo que está acontecendo silenciosamente dentro da boca. Cuidar dos dentes também significa cuidar do bem-estar e da qualidade de vida do animal.
