Há 210 milhões de anos, os dinossauros ainda estavam longe de dominar os ambientes terrestres. Mesmo assim, já ocupavam diferentes paisagens e começavam uma longa trajetória evolutiva que transformaria a história da vida na Terra.
Agora, um fóssil encontrado no Zimbábue está ajudando a revelar como essa diversificação aconteceu. O animal, chamado Musango matusadonaensis, tinha cerca de 4,5 metros de comprimento e pesava aproximadamente 222 quilos. Seu esqueleto foi descoberto em 2018, nas proximidades do atual Lago Kariba.
Mais do que apresentar uma nova espécie, o achado indica que o sul da África pode ter abrigado diferentes comunidades de dinossauros, adaptadas a ambientes distintos.
Um dinossauro pequeno diante dos gigantes que viriam depois
O Musango pertence ao grupo dos sauropodomorfos, linhagem que inclui os ancestrais dos enormes dinossauros herbívoros de pescoço comprido que surgiriam posteriormente.
Entretanto, ele ainda estava muito distante das dimensões dos gigantes que se tornariam famosos milhões de anos depois. Com aproximadamente 222 quilos, seu peso era comparável ao de um porco adulto de grande porte.
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Entrar no Canal do WhatsAppO fóssil também apresenta uma característica especialmente importante para os paleontólogos: está excepcionalmente bem preservado para um dinossauro desse período.
Entre os elementos encontrados estão:
- partes da coluna vertebral;
- costelas;
- ossos dos braços;
- pernas;
- pés.
O crânio não foi localizado, o que limita algumas conclusões sobre sua biologia. Ainda assim, a anatomia preservada permite estudar detalhes importantes sobre sua evolução e relação com outros sauropodomorfos.
Estudo revela uma África pré-histórica mais diversificada
A descrição científica da espécie foi publicada em 2026 no Journal of Systematic Palaeontology, em um estudo liderado por Paul M. Barrett. O trabalho analisou detalhadamente os ossos encontrados na região de Kariba e estabeleceu as características que diferenciam o Musango matusadonaensis de outros dinossauros conhecidos.
A pesquisa também apresenta uma implicação mais ampla.
Até pouco tempo, os registros disponíveis sugeriam que dinossauros de diferentes regiões do sul da África poderiam ser relativamente semelhantes. A nova espécie, porém, aponta para um cenário no qual ecossistemas distintos abrigavam conjuntos próprios de dinossauros.
Isso significa que a evolução desses animais pode ter sido mais regionalizada do que os fósseis conhecidos anteriormente indicavam.
Os ossos contam parte da história do animal
Além de ajudar a identificar a espécie, o esqueleto fornece pistas sobre sua vida.
Os pesquisadores estimaram que o exemplar tinha aproximadamente 8 anos quando morreu e já estava próximo do tamanho adulto. Algumas alterações observadas nos ossos também indicam que o animal havia sobrevivido a um ferimento grave ou a uma possível infecção.
Como o crânio não foi preservado, não é possível determinar sua dieta com absoluta certeza. Porém, considerando sua anatomia e o ambiente onde viveu, os pesquisadores consideram provável que fosse herbívoro ou onívoro, alimentando-se de recursos disponíveis nas proximidades de rios e córregos.
O próprio nome escolhido para a espécie carrega uma referência ao ambiente. Musango, palavra da língua Shona, está associada à ideia de viver no mato.
Zimbábue já havia revelado outro dinossauro extremamente antigo
A importância do achado fica ainda maior quando ele é comparado a outra descoberta feita no mesmo país.
Em 2022, pesquisadores identificaram o Mbiresaurus raathi, dinossauro que viveu aproximadamente 230 milhões de anos atrás. Com cerca de 1 metro de altura e peso de até 30 quilos, ele era muito menor que o Musango.
A diferença entre os dois animais mostra que o território do atual Zimbábue já apresentava uma variedade considerável de dinossauros durante o Triássico.
Além disso, o registro de espécies de diferentes tamanhos e características ajuda os paleontólogos a reconstruir como esses animais começaram a ocupar novos ambientes enquanto ainda estavam nos primeiros estágios de sua expansão pelo planeta.
Veja também:
Uma janela para os primeiros capítulos dos dinossauros
O Musango matusadonaensis não é apenas uma nova espécie adicionada à lista de dinossauros conhecidos. Seu fóssil oferece uma rara oportunidade de observar a diversidade desses animais em um momento decisivo de sua história.
Há milhões de anos, antes dos gigantes dominarem muitas paisagens, diferentes espécies já exploravam os ambientes disponíveis e seguiam caminhos evolutivos próprios.
E o mais interessante é que o registro fóssil do sul da África ainda possui grandes lacunas. Por isso, novos trabalhos de campo na região podem revelar outras espécies desconhecidas, ajudando a explicar como os primeiros dinossauros se espalharam e se diversificaram.
