Tenho menos de 40 anos: preciso fazer mamografia ou apenas ultrassom das mamas? 

Antes dos 40, a indicação depende do risco e do contexto. (Imagem: Getty Images via Canva)

A dúvida é comum, mas não existe uma resposta única para todas as pessoas com menos de 40 anos. Mamografia e ultrassom das mamas não são exames equivalentes, e a indicação muda conforme o objetivo: rastreamento em alguém sem sintomas ou investigação de uma alteração já percebida.

Em mulheres jovens, o tecido mamário costuma ser mais denso, o que pode dificultar a interpretação da mamografia. Por isso, o ultrassom frequentemente ganha importância em determinadas situações. Ainda assim, isso não significa que a mamografia seja proibida antes dos 40.

A idade ajuda a definir o caminho, mas não decide sozinha

Para pessoas de risco habitual e sem sintomas, as recomendações de rastreamento variam entre entidades e países. No Brasil, as recomendações conjuntas do Colégio Brasileiro de Radiologia, da Sociedade Brasileira de Mastologia e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia indicam mamografia anual dos 40 aos 74 anos.

Antes dessa idade, o exame de rotina não é automaticamente indicado para todas as pessoas. A situação muda quando existem fatores que elevam o risco, como histórico familiar importante, mutações genéticas associadas ao câncer de mama ou exposição prévia à radioterapia no tórax.

Nesses casos, o acompanhamento pode começar mais cedo e incluir diferentes métodos de imagem.

Ultrassom costuma entrar primeiro

Ultrassom mamário na avaliação inicial. (Imagem: Fala Ciência)

Se uma pessoa jovem percebe um caroço, alteração localizada ou outra mudança persistente na mama, a situação deixa de ser um simples rastreamento.

Nessas circunstâncias, o ultrassom pode ser muito útil porque permite avaliar a estrutura da alteração e diferenciar, por exemplo, formações predominantemente sólidas de estruturas cheias de líquido.

Para mulheres entre 30 e 39 anos, diferentes modalidades podem ser consideradas dependendo do quadro clínico. Já em pessoas mais jovens, o ultrassom costuma ter papel ainda mais importante na avaliação inicial de alterações palpáveis.

Isso não significa, entretanto, que o exame ultrassonográfico substitua sempre a mamografia. Se houver características suspeitas, outros exames podem ser acrescentados conforme a avaliação médica.

Pesquisa analisou a mamografia entre 39 e 49 anos

Uma revisão publicada na revista Cancer Epidemiology em 22 de junho de 2026, liderada por Pedro C. Abrahão Reis, avaliou evidências randomizadas sobre o rastreamento mamográfico em mulheres de 39 a 49 anos.

O trabalho analisou os benefícios e possíveis impactos do rastreamento nessa faixa etária, justamente onde existe maior discussão sobre quando iniciar a mamografia. A análise considera que o início do rastreamento antes dos 50 anos pode ter implicações importantes para políticas de saúde, especialmente porque o benefício da detecção precoce precisa ser avaliado em conjunto com possíveis resultados falso positivos e outros efeitos do rastreamento.

O estudo é particularmente relevante para a discussão sobre a idade de início do rastreamento, mas não significa que toda pessoa com menos de 40 anos precise fazer mamografia.

Sintoma e rastreamento são situações diferentes

Essa distinção é fundamental. Uma pessoa sem sintomas pode estar discutindo rastreamento, enquanto alguém que percebe uma alteração precisa de investigação diagnóstica.

Entre os sinais que merecem avaliação profissional estão:

  • caroço novo na mama
  • alteração persistente na pele
  • mudança recente no mamilo
  • secreção mamilar incomum
  • alteração localizada que não desaparece

Na presença de uma mudança, não é adequado escolher o exame por conta própria. O profissional avalia idade, histórico, exame físico e características da alteração para definir a investigação mais apropriada.

Afinal, mamografia ou ultrassom?

A resposta mais correta é: depende do motivo do exame.

Para uma pessoa com menos de 40 anos e risco habitual, a mamografia de rastreamento não é automaticamente necessária. O ultrassom pode ser indicado para investigar alterações, principalmente em mamas jovens e densas.

Por outro lado, quem apresenta risco elevado pode precisar começar o rastreamento antes dos 40 anos e utilizar uma estratégia diferente, que pode envolver mamografia, tomossíntese ou ressonância magnética.

Portanto, a idade é apenas uma parte da decisão. O histórico familiar, os fatores de risco, os sintomas e o objetivo do exame são igualmente importantes.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn