A falta de zinco pode começar no metabolismo, não apenas na dieta

Doenças metabólicas podem alterar os níveis de zinco. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

Quando se fala em deficiência de zinco, a primeira ideia costuma ser uma alimentação pobre nesse mineral. Porém, essa explicação não revela todo o cenário. Pesquisas mostram que o próprio organismo pode alterar a forma como utiliza, distribui e elimina o zinco, especialmente na presença de doenças metabólicas, como obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.

Isso significa que, mesmo com uma ingestão aparentemente adequada, algumas pessoas podem apresentar alterações nos níveis desse nutriente. Como o zinco participa de centenas de processos biológicos, qualquer desequilíbrio pode afetar diferentes funções do organismo ao longo do tempo.

Muito além da imunidade e da cicatrização

Zinco participa de mais de 300 funções no organismo. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

O zinco desempenha um papel fundamental nas atividades celulares do organismo. Ele participa da atividade de mais de 300 enzimas e contribui para processos importantes, como:

  • Produção de proteínas.
  • Divisão celular.
  • Cicatrização.
  • Resposta imunológica.
  • Metabolismo da glicose e dos lipídios.

Por isso, manter níveis adequados de zinco é importante para o equilíbrio de praticamente todos os sistemas do organismo.

A ciência mostra uma relação de mão dupla

Uma revisão publicada na revista Annual Review of Nutrition, em 19 de maio de 2026, liderada por Andrew G. Hall, analisou as evidências mais recentes sobre a relação entre o zinco e as doenças metabólicas.

Os pesquisadores descrevem que essa relação ocorre em duas direções. Por um lado, alterações na ingestão e nos níveis plasmáticos de zinco podem influenciar processos envolvidos em doenças metabólicas. Por outro, essas próprias doenças também modificam a homeostase do zinco, alterando sua distribuição entre os tecidos, sua ligação às proteínas e favorecendo uma perda maior do mineral pelo organismo.

O estudo explica ainda que o zinco circula constantemente entre o sangue e as células para atender às necessidades metabólicas, tornando esse equilíbrio bastante dinâmico. Quando doenças metabólicas provocam inflamação e estresse oxidativo, esse mecanismo pode ser prejudicado, reduzindo a disponibilidade do mineral para diversas funções biológicas.

Os sinais podem ser discretos

Quando os níveis de zinco diminuem, alguns sintomas podem surgir gradualmente, como:

  • Maior dificuldade de cicatrização.
  • Queda de cabelo.
  • Redução da resposta imunológica.
  • Alterações no paladar e no olfato.
  • Unhas mais frágeis em alguns casos.

Esses sinais não são exclusivos da deficiência de zinco, por isso a investigação deve ser feita por um profissional de saúde.

O equilíbrio metabólico também influencia os nutrientes

A nova compreensão sobre o metabolismo do zinco mostra que não basta observar apenas a alimentação. O funcionamento do organismo também interfere na forma como esse mineral é utilizado.

Por isso, controlar doenças metabólicas, manter hábitos saudáveis e buscar acompanhamento médico quando necessário são medidas importantes para preservar o equilíbrio nutricional. A ciência mostra que o zinco não depende apenas do prato, mas também da maneira como o corpo administra esse nutriente diariamente.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn