Com mais de 3 mil metros de altitude e centenas de milhares de anos de atividade, o Monte Etna é um dos vulcões mais estudados do planeta. Localizado na ilha da Sicília, na Itália, ele entra em erupção frequentemente e desperta o interesse de geólogos há décadas. Mesmo assim, sua verdadeira origem sempre permaneceu cercada de dúvidas.
Agora, uma nova pesquisa publicada no Journal of Geophysical Research: Solid Earth, liderada por Sebastien Pilet em 2026, propõe uma explicação que pode transformar a compreensão sobre esse gigante. O estudo indica que o Etna talvez não pertença a nenhuma das três categorias clássicas de vulcões, podendo representar uma quarta classe de formação vulcânica.
O Monte Etna sempre foi um caso fora do padrão
Os geólogos costumam explicar a origem dos vulcões por três mecanismos principais:
- Separação das placas tectônicas, onde o magma sobe para formar nova crosta terrestre.
- Zonas de subducção, quando uma placa mergulha sob outra, favorecendo o surgimento de magma.
- Pontos quentes, regiões onde material muito quente do manto sobe continuamente, como ocorre no Havaí.
Entretanto, o Monte Etna nunca se encaixou perfeitamente em nenhum desses modelos.
Embora esteja próximo de uma região de subducção, sua composição química se parece muito mais com a encontrada em vulcões alimentados por pontos quentes. Esse aparente paradoxo intrigava os pesquisadores havia muitos anos.
A resposta pode estar escondida nas profundezas da Terra
Segundo o novo estudo, a fonte do magma do Etna pode estar em bolsas antigas de rocha derretida localizadas aproximadamente 80 quilômetros abaixo da superfície.
Em vez de o magma ser produzido pouco antes das erupções, como ocorre em muitos sistemas vulcânicos, essas reservas poderiam permanecer armazenadas durante longos períodos no manto superior.
Com o movimento contínuo das placas tectônicas africana e eurasiática, essas bolsas seriam lentamente empurradas para cima. Conforme surgem fraturas na crosta terrestre, o magma encontra caminhos naturais até alcançar a superfície, alimentando sucessivas erupções.
Esse mecanismo explica tanto a composição química incomum das lavas quanto a atividade persistente observada ao longo de cerca de 500 mil anos.
Um possível quarto tipo de vulcão
Uma das hipóteses mais interessantes apresentadas pelos pesquisadores é que o Etna possa pertencer ao grupo dos chamados vulcões petit spot.
Esses vulcões foram identificados originalmente em regiões submarinas e costumam ser estruturas pequenas, formadas quando pequenas quantidades de magma conseguem atravessar fissuras provocadas pela flexão das placas tectônicas.
O surpreendente é que esse mesmo processo, antes associado apenas a pequenos vulcões oceânicos, pode ter dado origem a um dos maiores estratovulcões do planeta.
Caso essa hipótese seja confirmada, será necessário ampliar os modelos atuais que explicam a formação dos grandes vulcões terrestres.
Rochas antigas ajudaram a reconstruir essa história
Para testar essa hipótese, os pesquisadores analisaram amostras de rochas produzidas pelo Monte Etna ao longo de aproximadamente 500 mil anos de atividade.
A composição química permaneceu notavelmente estável durante todo esse período, mesmo diante das mudanças tectônicas ocorridas na região. Esse padrão indica que o magma pode ter permanecido armazenado nas profundezas por muito tempo antes de ser transportado lentamente até a superfície.
Uma descoberta que pode mudar a geologia
Além de explicar um dos maiores enigmas da vulcanologia, o estudo abre novas possibilidades para identificar processos semelhantes em outras regiões do planeta.
Se outros grandes vulcões também forem alimentados por esse mecanismo, será necessário revisar parte do conhecimento atual sobre a evolução geológica da Terra. Além disso, compreender melhor a origem do magma pode contribuir para aperfeiçoar os modelos de monitoramento e avaliação de riscos vulcânicos.
