A busca por vida extraterrestre inteligente costuma se concentrar em planetas semelhantes à Terra. Porém, uma nova pesquisa propõe uma estratégia diferente: procurar por sinais de engenharia alienígena em vez de procurar diretamente pelos próprios extraterrestres.
Um estudo assinado por Amirnezam Amiri, disponível no arXiv em 2026 e com publicação prevista na revista Universe, apresenta novas pistas sobre como identificar uma das estruturas mais fascinantes já imaginadas pela ciência: a esfera de Dyson. Caso exista em algum lugar da Via Láctea, essa megaestrutura poderia alterar completamente a aparência de uma estrela, tornando-a um alvo relativamente fácil para telescópios especializados em luz infravermelha.
O que é uma esfera de Dyson?
A ideia surgiu em 1960, quando o físico Freeman Dyson sugeriu que uma civilização extremamente avançada poderia construir estruturas ao redor de sua estrela para aproveitar praticamente toda a energia produzida por ela.
Hoje, os cientistas consideram mais provável a existência de um enxame de Dyson, composto por milhares ou milhões de satélites coletores orbitando a estrela, em vez de uma esfera sólida envolvendo completamente o astro.
Se uma civilização dominasse uma tecnologia desse nível, teria acesso a uma quantidade gigantesca de energia para alimentar sistemas extremamente avançados.
As estrelas mais promissoras para essa busca
Segundo o estudo, dois tipos de estrelas merecem atenção especial:
- Anãs vermelhas
- Anãs brancas
As anãs vermelhas são as estrelas mais abundantes da Via Láctea e podem permanecer ativas por trilhões de anos, oferecendo uma fonte de energia extremamente estável para uma civilização tecnológica.
Já as anãs brancas, embora sejam remanescentes estelares, também apresentam características interessantes. Por serem muito compactas, exigiriam uma estrutura muito menor para captar sua energia, reduzindo enormemente a quantidade de material necessária para construir um enxame de Dyson.
Como uma megaestrutura mudaria a aparência da estrela?
Uma das previsões mais interessantes do trabalho envolve a forma como essas estrelas seriam observadas pelos telescópios.
Em vez de emitir principalmente luz visível, uma estrela cercada por um enxame de Dyson teria grande parte de sua energia absorvida. Como essa energia não desaparece, ela seria liberada novamente na forma de radiação infravermelha, funcionando como um enorme radiador cósmico.
Na prática, o objeto pareceria muito mais frio do que realmente é.
Segundo os cálculos apresentados no estudo, uma anã vermelha com temperatura superficial próxima de 3.000 Kelvin poderia aparentar apenas cerca de 50 Kelvin quando observada externamente devido ao calor irradiado pela megaestrutura.
Esse comportamento colocaria o objeto em uma região do diagrama de Hertzsprung-Russell, utilizado para classificar estrelas, onde praticamente não existem estrelas naturais conhecidas.
Outros sinais podem denunciar uma tecnologia alienígena
Além da emissão intensa de infravermelho, os pesquisadores destacam outras possíveis características:
- Ausência das assinaturas típicas de poeira interestelar.
- Variações incomuns de brilho, provocadas pelos inúmeros coletores orbitando a estrela.
- Espectro luminoso diferente do observado em estrelas convencionais.
Essas características ajudam a diferenciar possíveis tecnoassinaturas de fenômenos naturais.
Telescópios atuais já podem procurar essas estruturas
A pesquisa destaca que instrumentos como o Telescópio Espacial James Webb, especializado em observações no infravermelho, possuem capacidade para investigar esse tipo de objeto.
Além disso, levantamentos anteriores já identificaram alguns candidatos interessantes associados principalmente a anãs vermelhas. Embora nenhum deles tenha sido confirmado como uma esfera de Dyson, o novo modelo fornece critérios mais precisos para separar possíveis megaestruturas de explicações naturais.
