Vape de melatonina: a nova moda perigosa entre jovens que preocupa especialistas

Falta de estudos sobre vape de melatonina preocupa. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

Nos últimos anos, soluções rápidas para dormir melhor ganharam espaço nas redes sociais e no mercado de bem-estar. Entre cápsulas, sprays e chás, surgiu uma tendência que tem chamado atenção de profissionais da saúde: o chamado “vape de melatonina”. A ideia de inalar uma substância associada ao sono pode parecer moderna e prática, mas levanta dúvidas importantes sobre segurança e efeitos reais no organismo.

A melatonina é um hormônio naturalmente produzido pelo corpo humano e tem papel essencial na regulação do ciclo circadiano, que controla os períodos de sono e vigília. Em sua forma tradicional, como suplemento oral, ela é utilizada em situações específicas e geralmente por períodos curtos. Já na forma inalada, o cenário muda, principalmente pela falta de estudos robustos sobre esse tipo de uso.

Como a melatonina atua no sono natural

O organismo produz melatonina de forma gradual ao longo da noite, especialmente quando há redução da luz ambiente. Esse aumento sinaliza ao cérebro que é hora de descansar, ajudando na indução do sono.

Quando usada como suplemento oral, a substância passa pelo sistema digestivo e é metabolizada antes de chegar à circulação. Esse processo ajuda a controlar parte de sua liberação no organismo.

Na forma inalada, entretanto, a absorção ocorre de maneira mais direta pelas vias respiratórias, o que pode alterar a dinâmica de ação e dificultar o controle do efeito.

Por que o “vape de melatonina” preocupa especialistas

O crescimento desse tipo de produto entre jovens levanta uma série de alertas na área da saúde. Entre os principais pontos de atenção estão:

  • Ausência de padronização de dose, com variações entre dispositivos
  • Falta de estudos sobre segurança da inalação de melatonina
  • Possível irritação das vias respiratórias devido ao processo de vaporização
  • Risco de interferência no ritmo natural do sono
  • Uso sem necessidade clínica ou orientação profissional

Outro ponto importante é que a melatonina, apesar de associada ao sono, não é um sedativo imediato. Seu papel está mais ligado à regulação do relógio biológico do que à indução direta do sono profundo.

O impacto no ciclo do sono pode ser mais complexo do que parece

O sono depende de um equilíbrio delicado entre luz, rotina, hormônios e hábitos comportamentais. Quando esse sistema é modificado por intervenções externas sem controle adequado, como a inalação de substâncias, existe o risco de desorganizar ainda mais o ciclo circadiano.

Além disso, o uso frequente de qualquer forma de melatonina sem orientação pode levar o organismo a depender de estímulos externos para iniciar o sono, o que não é o objetivo fisiológico ideal.

Alternativas mais seguras para melhorar o sono

Embora a promessa de soluções rápidas seja atraente, o sono de qualidade depende principalmente de hábitos consistentes. Algumas estratégias seguras incluem:

  • Manter horários regulares para dormir e acordar
  • Reduzir exposição à luz intensa à noite
  • Evitar cafeína no período noturno
  • Criar um ambiente escuro e silencioso para dormir
  • Buscar avaliação médica em casos persistentes de insônia

O chamado “vape de melatonina” ainda carece de evidências sobre segurança e eficácia. Por isso, especialistas alertam que, neste momento, ele representa mais uma tendência sem respaldo científico sólido do que uma solução real para problemas de sono.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn