Seu desejo por doces pode esconder uma deficiência que quase ninguém percebe 

Nem toda compulsão por açúcar tem origem emocional. (Foto: Getty Images via Canva)
Nem toda compulsão por açúcar tem origem emocional. (Foto: Getty Images via Canva)

Aquela vontade repentina de comer chocolate ou outros alimentos ricos em açúcar costuma ser chamada de fome emocional. Afinal, momentos de estresse, ansiedade e cansaço frequentemente despertam esse comportamento. No entanto, a ciência mostra que nem sempre as emoções explicam tudo. Em alguns casos, o organismo pode estar funcionando de maneira diferente por causa de deficiências nutricionais, especialmente quando há baixos níveis de minerais importantes para o metabolismo.

Entre eles, o magnésio chama a atenção dos pesquisadores. Embora muitas pessoas acreditem que a compulsão por doces seja um sinal direto de falta desse mineral, as evidências indicam um cenário mais complexo. O desejo por açúcar envolve fatores hormonais, neurológicos, comportamentais e nutricionais que atuam em conjunto.

O magnésio participa do funcionamento do cérebro e do metabolismo

O magnésio é um dos minerais mais importantes do organismo. Ele participa de mais de 300 reações bioquímicas, incluindo a produção de energia, a transmissão dos impulsos nervosos, a contração muscular e o metabolismo da glicose.

Quando seus níveis estão reduzidos, podem surgir manifestações como fadiga, cãibras, irritabilidade, dificuldade para dormir e alterações no controle da glicemia. Essas mudanças podem favorecer oscilações na energia ao longo do dia e aumentar a procura por alimentos ricos em açúcar, embora isso não aconteça em todas as pessoas.

A explicação científica por trás do desejo por doces 

Uma ampla revisão publicada na revista Current Nutrition Reports, em 24 de março de 2026, tendo Anastasia Papagiannidou como autora principal, reuniu os estudos mais recentes sobre a deficiência de magnésio e seus impactos na saúde. Os pesquisadores analisaram evidências envolvendo metabolismo, alimentação e doenças crônicas.

Segundo a revisão, baixos níveis de magnésio estão associados ao pior controle da glicose, maior risco de diabetes tipo 2, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares. Além disso, a deficiência desse mineral pode afetar mecanismos envolvidos na produção de energia e no funcionamento adequado do sistema nervoso.

O estudo também destaca que a deficiência de magnésio é frequentemente subdiagnosticada, pois os exames de sangue nem sempre refletem a quantidade total presente no organismo. Outro ponto importante é que padrões alimentares modernos, ricos em produtos ultraprocessados e pobres em alimentos naturais, contribuem para uma ingestão insuficiente desse nutriente.

E onde entra a chamada fome emocional?

Apesar da associação entre magnésio e metabolismo, o estudo não conclui que a vontade de comer doces seja causada exclusivamente pela deficiência desse mineral. Na prática, o desejo por açúcar costuma surgir pela combinação de diversos fatores, como:

  • Estresse psicológico
  • Privação de sono
  • Longos períodos sem se alimentar
  • Oscilações da glicemia
  • Alimentação pobre em nutrientes
  • Hábitos alimentares repetitivos

Por isso, interpretar toda compulsão por doces como falta de magnésio ou cromo pode levar a conclusões equivocadas.

A melhor estratégia continua sendo uma alimentação equilibrada

Caso a vontade frequente por açúcar venha acompanhada de fadiga persistente, cãibras, fraqueza muscular ou alterações metabólicas, vale procurar um médico ou nutricionista para uma avaliação completa. A suplementação deve ser indicada apenas quando houver necessidade comprovada.

Enquanto isso, manter uma alimentação rica em vegetais verde-escuros, oleaginosas, sementes, leguminosas e grãos integrais continua sendo a maneira mais segura de garantir uma ingestão adequada de magnésio e favorecer o funcionamento equilibrado do organismo.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn

Protetor Solar Bloqueia Vitamina D? Você Nunca Verá Duas Zebras Iguais Os Primeiros Sinais do AVC